Cineasta defende mudança na Lei de Incentivo à Cultura: “As pessoas não entendem como funciona, têm preconceito”

Cineasta está para lançar seu segundo filme financiado totalmente com iniciativa privada

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Prestes a lançar nos cinemas seu segundo filme, Sistema Bruto, o diretor Gui Pereira entende melhor que muitos, todas as dificuldades que um cineasta de produtora independente encara na hora de tentar fazer uso da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Após financiar sua atual produção totalmente com a iniciativa privada, devido não ter conseguido o incentivo governamental, devido a problemas de atualização e liberação para iniciar o processo, Pereira falou sobre o assunto em uma entrevista exclusiva para o E-Pipoca.

“De certo modo, a gente experimentou isso (as dificuldades de uso) ao lançar o nosso primeiro projeto, Coração de Cowboy. Sempre foi difícil, antes já era difícil e agora está difícil ainda”, ele afirmou.

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Gui Pereira durante as filmagens de Sistema Bruto (Divulgação)

Ele ressaltou que a maneira preconceituosa que a Lei, que antes se chamava Lei Rouanet, é vista por muitas pessoas, que não a compreendem, acaba atrapalhando ainda mais produtores a conseguirem o incentivo.

“Tem muito preconceito em cima dessas leis de incentivo. Muitas pessoas não sabem direito como que ela funciona, a lei até trocou de nome porque tinha muito preconceito embutido, as pessoas não entendem que não é só pegar dinheiro e gravar, tem todo um processo. É como se fosse o que a gente fez (em Sistema Bruto), porém, com incentivo fiscal para a empresa”, ele explicou.

Pereira destacou que produtoras independentes como a dele, a Dodô Filmes, têm ainda mais dificuldades em fazer uso da Lei de Incentivo, pois as empresas que se interessam em ajudar as produtoras maiores.

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“Acho que o mais difícil mesmo é você ter os contatos das pessoas ( de empresas interessadas), pois as grandes empresas ainda trabalham basicamente com as produtoras grandes. É muito difícil uma empresa grande dar abertura ou querer entender mais sobre um projeto de uma produtora independente no lugar das grandes que já conhece”, ele salientou.

Bruna Viola em cena de Sistema Bruto (Divulgação)
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Ele finalizou o assunto afirmando que acha que a Lei de Incentivo precisava de uma grande reforma para funcionar bem, principalmente para cineastas com menos tempo de atuação no mercado cinematográfico nacional.

“Então, sempre foi muito difícil, agora está um pouco mais, digamos assim, é. Eu sou a favor de ter algum tipo de reforma que favoreça o pessoal iniciante, querendo começar, querendo mostrar um pouco mais do trabalho.

“Eles batalharam para mudar a lei, mas eu acho que não mudou muita coisa e não melhorou, está está na mesma. Continua difícil, e é uma pena, porque se ela for aplicada de uma maneira correta, a gente conseguiria fazer muito mais projetos, que a gente consegue fazer atualmente. É muito importante ter, mas é difícil”, ele concluiu.

Sistema Bruto ainda não tem data de estreia, mas está previsto para chegar aos cinemas até o final do ano.

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