O clássico animado Branca de Neve e os Sete Anões mudou os rumos da história da Disney para sempre desde que foi lançado.
O primeiro longa-metragem animado do estúdio era completamente inovador para a época e mudou a forma como o público pensava sobre animação.
Mas além de promover o estúdio e ajudá-lo a se tornar o que é hoje, o filme ainda serviu para ressignificar contos de fadas que eram outrora terríveis em entretenimento adequando a todas as idades, principalmente a faixa etária infantil.
A professora e estudiosa Maria Tatar publicou um livro intitulado The Hard Facts of the Grimm’s Fairy Tales no qual sugere que foi a Disney que terminou o trabalho que os Irmãos Grimm iniciaram quando publicaram sua primeira compilação de contos de fadas em 1812.
Isso porque, apesar de todos os esforços de Wilhelm Grimm para suavizar e domar alguns dos elementos mais sombrios dos contos folclóricos europeus, as versões dos Irmãos Grimm ainda eram muito mais violentas, perturbadoras e adultas do que as versões popularizadas pela Disney.
Como era a história original de Branca de Neve e os Sete Anões
A versão Grimm começou com um desejo de ter um filho
Como muitos contos de fadas, a história começa quando a bondosa rainha, mãe de Branca de Neve, deseja ter uma filha.
Depois de espetar o dedo enquanto costura, três gotas de sangue caem na neve, e a rainha fica impressionada com o contraste, pensando: “Se ao menos eu tivesse um filho branco como a neve, vermelho como sangue e preto como a madeira neste quadro…”
Logo depois, a criança nasceu, mas a rainha acaba morrendo durante o parto.
Um ano depois, o rei se casa novamente com uma “bela e arrogante mulher”.
Dentro de um ano, o rei se casou novamente com “uma bela mulher, mas ela era orgulhosa e arrogante.”
Como a nova rainha teme que alguma outra mulher possa ofuscar sua beleza, ela pergunta ao espelho se ela ainda é a mulher mais bonita do mundo.
Quando o espelho diz que Branca de Neve é a mais bonita, ela exige a morte da menina.
A versão da Disney pula as origens de Branca de Neve, definindo o cenário ao contar que Branca de Neve vive com sua “madrasta malvada” que a veste de trapos e a faz trabalhar.
Não há menção aos pais de Branca de Neve no clássico da Disney, levando o público a supor que ambos os pais estavam mortos.

A rainha má come os órgãos internos
No clássico animado da Disney, a rainha má pede ao caçador que leve Branca de Neve para a floresta para matá-la, mas exige uma prova: seu coração.
O caçador, obviamente, não mata a menina, mas a liberta e leva o coração de um javali para a rainha.
Em algumas versões dos Irmãos Grimm, porém, a rainha pede o fígado e os pulmões da menina, enquanto em outras versões ela pede o coração.
Mas o detalhe mais terrível que a Disney, obviamente, escondeu, é que a rainha má cozinha e come os órgãos que caçador traz para ela.
“A cozinheira teve que cozinhá-los com sal”, diz uma versão de Grimm, “e a mulher malvada os comeu, supondo que ela tivesse comido os pulmões e o fígado de Branca de Neve”.
A rainha má tenta matar Branca de Neve três vezes
Na versão Grimm, a rainha má tenta matar Branca de Neve três vezes; quatro se você contar a tentativa fracassada do caçador. A Disney achou melhor simplificar o enredo por uma questão de tempo e para que não fosse tão violento.

O príncipe e Branca de Neve não se encontram até que ela acorde da morte
No clássico animado da Disney, Branca de Neve e seu príncipe se encontram uma vez antes de ela fugir para a floresta e se apaixonam.
Quando a rainha má dá a Branca de Neve a maçã envenenada, ela a convence a comer, dizendo que é uma maçã dos desejos. Antes de cair morta, ela deseja que o príncipe vá até ela.
Na versão Grimm, o príncipe encontra Branca de Neve em seu caixão de vidro na floresta cercada pelos sete anões que ainda estão de luto, mas eles pedem para comprá-la em seu caixão.
Eles não querem vender, mas acabam por entregá-la ao príncipe, e Branca de Neve só ressuscita bem depois.
Branca de Neve e os Sete Anões está disponível no Disney+.
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Um Psicólogo que estuda Medicina, ensina inglês, toca piano, ama escrever e tem um gato. Atuo como redator especializado em assuntos da cultura pop como filmes, séries de TV e streaming, animes e variedades relacionadas.