‘Ainda recebo ofertas de papéis de empregada ou mãe de luto’, diz Viola Davis

Viola Davis (Foto: Divulgação)

Em entrevista à Variety, Viola Davis relatou que decidiu criar sua própria produtora, a JuVee Productions, a fim de financiar os seus próprios projetos e escapar de alguns papéis que normalmente lhe oferecem em filmes e séries.

Ao site, a atriz falou sobre os roteiros que normalmente chegam em suas mãos:

“Ninguém está desenvolvendo filmes com alguém como eu em mente. Eu sou uma mulher de 55 anos, de pele negra, em Hollywood. Ainda recebo ofertas para ser ‘a empregada’, ou ‘a mãe de família chorando em cima do cadáver do filho no meio da rua’. Nunca sou lembrada como um ser sexual. Os fundamentos básicos do que é ser mulher não parecem me incluir.”

Dentre raras exceções de perfis de personagens que sempre cai em suas mãos, Viola destaca o papel da advogada Annalise Keating em Como Defender um Assassino (How to Get Away with Murder) da Netflix, que lhe rendeu duas indicações ao Globo de Ouro de Melhor Atriz em Série Dramática.

Com a série, Davis se tornou a primeira atriz negra a vencer o Emmy de Melhor Atriz em Série Dramática no ano de 2015, porém ela não quer que sua personagem advogada na série seja a única no quesito.

“Quando vemos mulheres negras nas telas, sinto como se fosse uma extensão da nossa história. Somos vistas como tão fortes que ficamos quase masculinizadas. É como se não sentíssemos nenhuma dor. Não somos desejadas, ou abraçadas. Na série, tive a chance de explorar o que é ser mulher, toda a bagunça disso, até mesmo os traumas sexuais.”

Com sua produtora, Viola vêm buscando sempre representar a experiência negra em toda a sua riqueza, e deseja nos apresentar pessoas que merecem ser celebradas:

“Mesmo que elas não sejam pessoas fáceis de gostar, mesmo que elas não sejam ‘bonitas’ — e essa é uma grande preocupação minha –, mesmo que elas não sejam heterossexuais, mesmo que sintam raiva de Deus. Pra mim sempre será uma honra trabalhar com artistas cujo objetivo é aprofundar as histórias que contamos sobre pessoas não-brancas.”

Formado em Criação e Produção Audiovisual. Frequentador assíduo das salas de cinemas e também colecionador há anos de filmes em DVD e Bluray. Atuou como produtor e editor do SBT e na redação de blogs e sites em geral. Atualmente, trabalha como redator do E-Pipoca.


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