Ignorando polêmica, Cuties/ Mignonnes pode ser indicado ao Oscar

Cuties/ Mignonnes
Cuties/ Mignonnes (Divulgação)

Nos Estados Unidos a corrida por uma indicação ao Oscar já começou. E como a premiação vai acontecer mais tarde no ano que vem, devido à pandemia causada pelo coronavírus, a academia resolveu que o prazo elegível para os candidatos se apresentarem é até fevereiro do ano que vem. Porém, em território fora da terra do Tio Sam, alguns longas já foram selecionados, um deles, Cuties (Mignnonnes), que está disponível na Netflix.

Dirigido por Maïmouna Doucoré, o filme ganhou uma repercussão negativa em solo americano, depois que a Netflix cometeu um erro de marketing na divulgação, colocando uma foto das pré-adolescentes que compõem o protagonismo em poses sensuais. Foi o suficiente para os assinantes sem antes conhecer o filme, julgarem que a plataforma de streaming estava promovendo a hiper sexualização de crianças, mesmo que a Netflix seja apenas a distribuidora, sem nenhum envolvimento com a produção.

Porém, a história do filme fazia uma crítica justamente a essa hiper sexualização que acontece porque as crianças atualmente se inspiram em modelos e influencers em redes sociais. O público americano, sem o menor discernimento disso passou a criar uma campanha para deixar de assinar a Netflix caso o filme realmente fosse colocado por lá.

Quando o comitê de seleção do Oscar da França fez sua lista de finalistas na semana passada, Cuties foi eliminado na lista de cinco filmes do país que vão concorrer à categoria de Melhor Longa-Metragem Internacional segundo o site Deadline, porém uma nova comissão se reunirá na próxima semana para definir se vale a pena reincluir o filme que tem aprovação de 87% dos críticos no Rotten Tomatoes, e começou o seu caminho de ascensão no início do ano durante o festival de Sundance.

A diretora do longa contou que chegou a receber ameaças de morte por conta do filme. “Eu não entendi o que estava acontecendo. Foi quando fui e vi como era o pôster. Recebi inúmeros ataques à minha personagem principal de pessoas que não tinham visto o filme, que pensaram que eu estava realmente fazendo um filme sobre a hiper sexualização de crianças, também recebi inúmeras ameaças de morte”, disse ela em entrevista ao Deadline dizendo eu Ted Sarandos, chefão da Netflix a ligou para pedir perdão pelo equívoco.