Segunda Chamada retrata realidade de moradores de rua no Brasil

Segunda Chamada
Débora Bloch como professora Lúcia em Segunda Chamada. (Reprodução)

Com um reflexo muito próximo da realidade brasileira, a série Segunda Chamada aborda temas delicados e impactantes. Violência contra mulher, xenofobia, alcoolismo, pessoas em situação de rua e evasão escolar são algumas das temáticas trazidas.

A nova temporada estreia nesse sexta (10) e traz para o centro das tramas questões que refletem em muito situações comuns observadas no cotidiano brasileiro. Os novos episódios narram o ano letivo de uma escola que oferece Educação para Jovens e Adultos (EJA), acompanhando os alunos e suas histórias.

Trama da nova temporada de Segunda Chamada

A principal questão enfatizada e que recebe foco no roteiro é a falta de condições mínimas de sobrevivência de grande parte dos alunos. Isso se dá principalmente porque uma parte do corpo docente é fruto do trabalho da professora Lúcia (Débora Bloch).

De uma forma voluntária, ela sai por São Paulo buscando pessoas em situação de rua para oferecer vagas na escola. Uma das criadoras e autoras da série, Carla Faour, explica o processo de desenvolvimento da ideia para a segunda temporada:

“A série tem um formato em que a gente acompanha a trajetória dos professores e juntamente vai jogando luz em determinados alunos durante os episódios. As pautas sociais estão presentes, e a gente vai escolhendo os assuntos e pensando.

Se a primeira temporada falava de personagens muito precários economicamente, a gente pensou: ‘Como a gente pode falar de uma realidade ainda mais dura? Foi aí que surgiu a ideia de falar da população em situação de rua”.

Julia Spadaccini, que trabalha em conjunto com Faour na criação e escrita de Segunda Chamada, explicou como estabeleceram as perspectivas para abordar assuntos tão áridos e torná-los mais palatáveis:

“Por mais áridos que sejam os temas, a gente utiliza a troca afetiva entre alunos, professores, as pessoas. Quando a gente conhece a história de cada um, vê que tem seres humanos que antes pareciam invisíveis. Tentamos trazer humanidade, emoção, afetividade. Isso ameniza a aridez.”

Violência contra mulher e feminicídio

Outro tema latente no drama é a violência contra a mulher. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no início do isolamento social em 2020, o Brasil contabilizou 1.350 casos de feminicídio, um a cada seis horas e meia.

A diretora Joana Jabace falou sobre:

“O número de casos de violência contra a mulher aumento mais de 25% no Brasil [durante a pandemia]. A série vai falar disso a fundo, acho um assunto de extrema relevância na situação que estamos agora. Quando fomos ensaiar, todas as atrizes tinha uma história pra contar, tinham sido vítimas de algum tipo de abuso. Acho esse um tema necessário, importante, que vai estar bem presente na segunda temporada.”

Produção durante a pandemia

As gravações da nova temporada de Segunda Chamada começaram em fevereiro de 2020 e precisaram ser interrompidas devido à pandemia. Por esse motivo, a série precisou ser reescrita e as histórias condensadas em seis episódios.

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