Um dos mais memoráveis clássicos da Disney, Mary Poppins é até os dias de hoje muito apreciado pelo público, apesar da autora do livro que inspirou o filme ter odiado a versão do estúdio de sua história, por achar que ficou muito legal.
Quando P.L. Travers escreveu a história de uma fantástica babá que salva uma família em 1934, ela não tinha a menor intenção de fazer uma adaptação cinematográfica, porém o sucesso da obra fez com que o livro chegasse às mãos da filha de Walt Disney, que se apaixonou por Mary Poppins.
Foi o amor da filha pelo livro que fez o dono dos estúdios procurar a escritora para adaptar sua obra para um filme infantil, algo que de cara foi rejeitado por Travers, que não gostava do estilo romantizado das produções Disney.
O produtor cinematográfico não se deu por vencido e continuou tentando convencer a autora de Mary Poppins a vender os direitos do livro por 20 anos, até que, por se encontrar em uma situação financeira complicada e precisar do dinheiro oferecido, ela acabou aceitando.

Os instintos de Travers se provaram certos para ela, que ficou totalmente frustrada com a adaptação infantil de sua obra, roteirizada por Don DaGradi, com música dos irmãos Richard e Robert Sherman e direção de Robert Stevenson.
Segundo Richard Sherman revelou em uma entrevista a revista americana Variety há alguns anos, foi extremamente complicado lidar com a autora do livro, que rejeitava e criticava duramente todas as ideias apresentadas.
“Ela odiava tudo. Ela insistiu que não inventassemos palavras, como Bert, o limpador de chaminés, rimando responsável com policial. Ela disse: ‘Desfaça isso’. Oh Deus, isso nos matou”, ele relembrou.
Travers também detestou a ideia dos produtores de misturar animação com live action e adicionar elementos musicais ao longa.
Quando o filme estava pronto e foi apresentado a ela, ela declarou de maneira pejorativa que Mary Poppins tinha ficado muito legal.

As dificuldades em produzir Mary Poppins virou até um filme: Walt nos Bastidores de Mary Poppins, que conta, adoçando um pouco a realidade, como Walt Disney lutou para cumprir a promessa que fez as filhas, de adaptar o livro de P.L Travers para o cinema.
Diferente do que aconteceu na vida real, o fim do longa mostra a autora chorando na estreia do filme, de alívio e felicidade por considerar que havia sido feito justiça a sua história.
Na realidade, a escritora ficou tão insatisfeita com a adaptação, que incluiu uma cláusula em seu testamento, proibindo que, depois que ela falecesse, qualquer obra dela tivesse os direitos vendidos à Disney.
Mary Poppins está disponível no Disney+.
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