Em O Agente Secreto, Marcelo (Wagner Moura) volta ao Recife dos anos 1970 fugindo de algo que o espectador só entende aos poucos. Ele tenta recomeçar a vida, reconstruir laços e, ao mesmo tempo, esconder um passado que insiste em persegui-lo. Enquanto se refugia em um prédio administrado pela carismática Dona Sebastiana (Tânia Maria), Marcelo se envolve em um emaranhado de documentos desaparecidos, identidades falsas e lembranças que o tempo e o regime militar tentam apagar.

    O novo longa de Kleber Mendonça Filho, que mais uma vez transforma o Recife em palco de histórias sobre apagamento, resistência e memória. Algo que já abordou em Bacurau e agora se aprofunda em um tipo diferente de desaparecimento: o das pessoas e lugares que sumiram sem deixar rastros.

    Wagner Moura vive Marcelo no filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho (Divulgação/Vitrine Filmes)
    Wagner Moura vive Marcelo no filme O Agente Secreto, (Divulgação/Vitrine Filmes)

    Desde a primeira cena, Kleber deixa claro que o filme não é sobre espionagem no sentido tradicional. É sobre viver num país que faz de tudo para esconder seu passado. Marcelo, o protagonista, é o reflexo disso: um homem dividido entre o desejo de recomeçar e o medo constante de ser apagado. Moura entrega uma das atuações mais contidas e poderosas de sua carreira, transmitindo dor, medo e esperança apenas com o olhar.

    Veja também: O Agente Secreto pode render cinco indicações ao Oscar 2026

    Visualmente, O Agente Secreto é um espetáculo à parte. A fotografia transforma o Recife em um personagem da trama, se tornando um lugar bonito e melancólico, cheio de memórias escondidas nas paredes. O Cinema São Luiz, por exemplo, vira um símbolo de resistência cultural, como se o próprio ato de ver um filme fosse uma forma de preservar o que o tempo (ou o poder) tenta apagar.

    Importante ressaltar que o ritmo é da narrativa é lento. Acredito que muitos esperam um thriller com explosões e perseguições o tempo todo ao julgar pelo nome, mas essa calma é o que dá força à história.

    Wagner Moura vive Marcelo no filme O Agente Secreto, (Divulgação/Vitrine Filmes)
    Wagner Moura vive Marcelo no filme O Agente Secreto, (Divulgação/Vitrine Filmes)

    O filme quer que a gente olhe, sinta e reflita sobre o apagamento que acontece ao nosso redor. E, no fim das contas, é impossível não se conectar com Marcelo e sua vontade de não desaparecer completamente.

    Wagner moura traz uma performance intensa, madura e completamente entregue. Dá para dizer, sem medo, que é um dos melhores trabalhos da carreira do ator e sim, pode (e deve) render indicações em premiações internacionais, incluindo o Oscar.

    Wagner Moura vive Marcelo no filme O Agente Secreto, (Divulgação/Vitrine Filmes)
    Wagner Moura vive Marcelo no filme O Agente Secreto, (Divulgação/Vitrine Filmes)

    No final, O Agente Secreto é sobre o que se perde quando um país escolhe esquecer e sobre o poder de lembrar, mesmo quando tudo parece empurrar para o silêncio.

    Veredito: O Agente Secreto é um dos filmes mais emocionantes e politicamente relevantes do cinema brasileiro recente. Visualmente belo, narrativamente corajoso e com uma atuação monumental de Wagner Moura, é o tipo de obra que fica na cabeça por dias.

    A produção chega aos cinemas brasileiros no dia 6 de novembro.

    Confira o trailer:


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    Jornalista carioca formado pela Estácio. Possui experiência com redação jornalística, assessoria de imprensa, cobertura de eventos, revisão de texto e social media. É redador do Spun Orgânico desde junho de 2024 e escreve sobre entretenimento, famosos e moda. Contato: [email protected]

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