Movimento Me too tem mais uma vitória nos tribunais

Harvey Weinstein foi condenado por mais três acusações em seu segundo julgamento

O caso de Harvey Weinstein, que disseminou o movimento Me Too por todo o mundo, encorajando mulheres a acusarem seus agressores sexuais, tem um novo veredicto.

O segundo julgamento contra o famoso produtor cinematográfico, lhe rendeu mais três condenações, por agressões a uma mesma vítima, conforme a revista The Hollywood Reporter. Neste julgamento, Weinstein foi acusado de dois estupros e cinco agressões sexuais de outros tipos, ocorridos de 2004 a 2013, envolvendo quatro mulheres.

A promotoria apresentou o testemunho de 44 pessoas na tribuna. Dentre essas pessoas estavam quatro mulheres que também se dizem agredidas pelo réu, mas não tiveram suas alegações transformadas em acusações no processo.

Indiferente a declaração de inocência do produtor, o júri de 12 membros o considerou culpado de três acusações: estupro forçado, cópula oral forçada e penetração por objeto estranho na vítima 1.

Harvey Weinstein
Harvey Weinstein (Reprodução)

Weinstein, no entanto, conseguiu ser inocentado da acusação da vítima 3, de agressão sexual por contenção.

Já as acusações de agressão sexual por contenção contra a vítima 2, e estupro forçado e cópula oral forçada contra a vítima 4, não receberam um veredicto. Os nove homens e três mulheres do júri não conseguiram chegar a um consenso.

O juiz tentou solucionar o impasse, oferecendo aos jurados mais argumentos ou a leitura de depoimentos. Mesmo assim eles não se sentiram capazes de decidir. Mesmo assim, o mesmo júri retornará ao tribunal, para ouvir argumentos sobre agravantes, e definir uma sentença para as acusações das vítimas 2 e 4.

Harvey Weinstein em Untouchable (Divulgação)

Sensação de dever cumprido

A vítima 1, uma modelo russa, que viu suas acusações sendo legitimadas pelo júri, que condenou seu agressor, declarou uma sensação de dever cumprido.

“O julgamento criminal foi brutal, e os advogados de Weinstein me colocaram no inferno no banco das testemunhas, mas eu sabia que tinha que ver isso até o fim, e eu fiz”, ele afirmou após o julgamento.

Ela foi a primeira a testemunhar na tribuna. A modelo contou que tudo aconteceu em um hotel em Los Angeles, em fevereiro de 2013. Ela estava na cidade para um festival de cinema italiano, e Weinstein foi a seu quarto sem convite e a estuprou.

“Harvey Weinstein destruiu para sempre uma parte de mim naquela noite em 2013 e eu nunca vou recuperar isso. Espero que Weinstein nunca veja o lado de fora de uma cela de prisão durante sua vida”, ela desabafou.

Harvey Weinstein em tribunal (Reprodução)

Vitória para o Me Too

O resultado aumenta a condenação de Harvey Weinstein, que já está cumprindo uma sentença de 23 anos de prisão. Um julgamento realizado em Nova York em fevereiro de 2020, o condenou por estupro e agressão sexual.

O produtor recorreu da sentença do primeiro julgamento, mas o tribunal de apelações negou seu pedido em junho.

As sentenças são consideradas uma grande vitória para o Movimento Me Too, que encorajou muitas das vítimas do ex-magnata da indústria cinematográfica a denunciá-lo, além de vítimas de outros agressores.

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