Distribuído pela Embaúba Filmes, o documentário YÕG ÃTAK: Meu Pai, Kaiowá acaba de ganhar seu trailer oficial. Dirigido por Sueli Maxakali, Isael Maxakali, Roberto Romero e Luisa Lanna, o filme narra a tocante jornada de Sueli em busca do pai, Luiz Kaiowá, de quem foi separada ainda bebê durante a ditadura militar.
A obra ilumina um capítulo pouco retratado do regime militar: a violência do Estado contra os povos indígenas. Nos anos 1960, Luiz Kaiowá, indígena guarani kaiowá, deixou seu território tradicional em Mato Grosso do Sul e, após uma longa travessia com outros parentes por estados como São Paulo e Rio de Janeiro, foi levado à força para Minas Gerais por agentes da Funai.
Lá, viveu por mais de 15 anos entre os Tikmũ’ũn (Maxakali), onde teve duas filhas: Maiza e Sueli. Quando Sueli tinha apenas dois meses, Luiz foi reconduzido ao Mato Grosso do Sul — e nunca mais teve contato com as filhas. Décadas depois, graças à chegada da internet nas aldeias e aos encontros políticos entre os povos, Sueli conseguiu reencontrar o pai com ajuda de duas primas.
A partir desse reencontro, nasceu a ideia de transformar a história em filme. A produção foi precedida por trocas de cartas, vídeos e ligações — e culminou, em 2022, com a viagem de uma delegação maxakali que percorreu mais de 1.800 km até o Mato Grosso do Sul, onde Luiz foi encontrado e hoje é reconhecido como um dos grandes xamãs de seu povo.
Falado em maxakali, guarani kaiowá e português, o documentário é permeado por cantos tradicionais e destaca as lutas dos povos indígenas pela preservação de seus territórios e modos de vida. As filmagens ocorreram em territórios tanto maxakali quanto guarani kaiowá e contaram com a participação de cineastas indígenas como Alexandre Maxakali (fotografia), Michele Kaiowá e Daniela Kaiowá (direção assistente e fotografia).
Celebrado pela crítica e por festivais, YÕG ÃTAK: Meu Pai, Kaiowá estreou no 57º Festival de Brasília, onde venceu o prêmio de melhor direção. Também recebeu menção honrosa na 14ª Mostra Ecofalante de Cinema Socioambiental e foi exibido em eventos como a Mostra de Cinema de Tiradentes e o X Festival de Documentários de Cachoeira.
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