Direto das passarelas da 2ª temporada de Drag Race Brasil, Mercedez Vulcão e Bhelchi vão além da arte drag e dividem reflexões importantes sobre representatividade, mídia e orgulho LGBTQIAPN+.

    Em entrevista ao E-Pipoca, as queens falam sobre o impacto do programa na luta contra o preconceito, analisam avanços e retrocessos nas produções audiovisuais, e compartilham referências que marcaram suas trajetórias.

    Entre críticas e mensagens inspiradoras, elas reforçam que, mais do que um mês de celebração, junho é um lembrete da luta contínua por respeito, espaço e liberdade de ser quem se é.

    A importância da visibilidade e da representatividade LGBTQIAPN+ na mídia e na cultura pop

    Vocês acham que o Drag Race contribuiu para diminuir o preconceito com relação as Drag Queens?

    Bhelchi:Com certeza, muita gente ainda tem uma imagem rasa, limitada, confundem Drag com gênero, ou que trabalham apenas em baladas, e o programa traz essa visibilidade, mostra a drag bailarina, a designer, a do teatro, a apresentadora, a cantora, artistas incríveis, que muitas vezes não são respeitadas ou valorizadas”.

    Mercedez:Sem sombra de dúvidas! Acho que o grande trunfo do programa foi ter colocado a drag em um lugar mainstream, e com isso humanizando essas figuras. Tirando a drag dos lugares de marginalidade e a fortalecendo enquanto ARTE”.

    O que vocês acham que é necessário para aumentar a representatividade LGBTQIAPN+ em filmes, novelas e séries?

    Bhelchi:Público. O poder sempre está na mão do povo, que compra, que consome, que curte, que faz barulho, quanto mais apoiamos os nossos, mais crescemos”.

    Mercedez:Contratar um elenco mais diverso já é um bom começo. Contar mais histórias a partir dessas perspectivas também”.

    Bhelchi1
    Bhelchi (Divulgação)

    Personagens e produções que marcaram a representatividade LGBTQIAPN+ na TV e no cinema

    Quais filmes, séries ou programas de TV vocês consideram que fizeram um péssimo trabalho com relação à comunidade LGBTQIAPN+?

    Bhelchi:Vivemos em um país machista, que tem caminhado sim, mas ainda tem um longo caminho pela frente. Na grande maioria das vezes nossa comunidade existe na TV para ser a parte da piada, aquele estereótipo gay afeminado para tirarem sarro, sabe?! Ou quando são legais, fazem alguma coisinha no mês do orgulho, ignorando que nos outros 11 meses também existimos”.

    Mercedez:Eu acho que nos anos 2000 teve muita coisa nesse sentido. E se bobear ainda hoje também tem, mas felizmente menos. Acho que o processo pela luta dos nossos direitos e por uma visibilidade mais humanizada é um processo longo, mas felizmente já podemos ver um avanço nesse quesito”.

    Quais filmes, séries ou programas de TV vocês consideram que fizeram um ótimo trabalho em relação à comunidade LGBTQIAPN+? E qual é indispensável para assistir?

    Bhelchi:Sou apaixonada por Pose, quem tem diversas discussões importantíssimas e Veneno, que é obrigatória!”

    Mercedez:Acho que tudo depende da perspectiva histórica. Certas obras fizeram bastante sentido quando foram lançadas, e hoje se formos assistir, com certeza veremos partes que não se encaixam mais no contexto atual. Dito isso, para minha formação de jovem viado nos anos 2000, tiveram algumas obras que me marcaram: a série Queer as Folk, o filme Brokeback Mountain, os filmes de Almodóvar (em especial Má Educação), a série Glee…”

    Quais personagens LGBTQIAPN+ foram e/ou ainda são inspiração para vocês?

    Bhelchi:Eu cresci vendo Vera Verão, ainda que fosse em um programa de humor, sempre será um exemplo de talento e resistência”.

    Mercedez:As figuras queer e as mulheres de Almodóvar com certeza são as minhas principais”.

    Mercedez1 scaled
    Mercedez Vulcão (Divulgação)

    Mês do Orgulho entre essência e mercado: importância de abraçar quem se é

    Para vocês, o Mês do Orgulho continua com a mesma essência de luta por direitos e visibilidade ou se tornou uma data mais comercial?

    Bhelchi:O que não é comercial hoje em dia? Acho que as coisas mudaram, porém é um mês onde temos a oportunidade de sermos ouvidos, mas a luta é diária”.

    Mercedez:Eu acho que existe sim a essência e é muito bonito presenciar a maior parada do mundo em SP. Mas sabemos que na estrutura de mundo capitalista em que vivemos, o aspecto comercial acaba facilitando certas pautas. Infelizmente não acho que tem muito como fugir, dentro do sistema que está estabelecido o poder do capital sempre acaba prevalecendo e a própria pauta em si acaba se tornando um produto. Por isso é importante estarmos atentos para não cairmos em certas armadilhas”.

    Deixem uma mensagem sobre o Mês do Orgulho.

    Bhelchi:A paz, o respeito, o amor existe, independente da situação que você se encontre hoje, tenha orgulho, abrace 100% quem você é, e seja feliz!”

    Mercedez:Quando o mundo a sua volta fizer você se sentir inadequado, abrace suas inadequações! Essa é sua potência!”

    Com sensibilidade e firmeza, Mercedez Vulcão e Bhelchi mostram que o orgulho vai muito além das cores da bandeira — é sobre resistir, ocupar espaços e transformar vulnerabilidade em força. Em um mundo que tantas vezes tenta nos encaixar, elas nos lembram: ser quem somos é, por si só, um ato poderoso.

    A 2ª temporada de Drag Race Brasil estreia em 10 de julho com exclusividade e mundialmente na WOW Presents Plus. Você pode acompanhar as queens no Instagram: bhelchi e mercedezvulcao.

    Autor

    • Sergio Scarpa

      Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]


    Deixe seu comentário

    Adoraríamos saber sua opinião!


    Descubra mais sobre Epipoca

    Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

    Compartilhe

    Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]

    ×

    URL Copiada com Sucesso

    Desenvolvido por Camillo Dantas