Agnieszka Holland Charlatan Divulgacao
    Agnieszka Holland- Charlatan (Divulgação)

    A presidente da Academia Europeia de Cinema, Agnieszka Holland, foi clara em sua problematização sobre os serviços de streaming em painel que participou no Festival de Cannes. A cineasta falou sobre a influência dos serviços de streaming, que se baseiam em algoritmos.

    De acordo com Holland, os serviços de streaming geram uma desigualdade em  oportunidades de financiamento e distribuição das produções. Ela também acrescentou que  temia uma parada no crescimento das plataformas, que se fortaleceram com a pandemia, uma vez que os cinemas estão reabrindo.

    “Eles se tornaram uma espécie de grande buraco negro sem curadoria, onde nossos produtos mais frágeis e pessoais podem desaparecer ”, disse se referindo aos cineastas independentes.

    “As plataformas são ótimas, mas não têm curadoria, são organizadas apenas pelos algoritmos. Precisamos dos verdadeiros curadores, os festivais, as academias, os críticos. Precisamos de produtores que lutem por uma voz única, rara, ambiciosa e desafiadora ”.

    Para Holland é necessário se questionar os motivos pelos quais precisamos do cinema enquanto sociedade. Uma preocupação dela também é que a identidade de assistir um filme neste ambiente se perca.

    Em uma defesa do cinema ela também afirmou que ” a experiência de encontrar filmes e TV em plataformas” não substitui estar em uma sala, apropriada para a exibição de filmes, “unidos por emoções comuns.”

    A cineasta também reconheceu como que é difícil encontrar financiamento ou distribuição que ofereça às obras a oportunidade de alcançar o público geral da Europa. Para ela, as plataformas tem cumprido este papel, mas ela ainda acredita na força do cinema com o fim da pandemia.

    cannes premio
    Logo do Festival de Cannes (Divulgação)

    Quem também se pronunciou sobre o assunto em Cannes foi o produtor  Martin Moszkowicz, da Constantin Film, teve uma visão um pouco diferente.

    “Não somos atacados por streamers, somos atacados por um vírus. O vírus é o motivo pelo qual os cinemas tiveram que fechar. As plataformas não são nossos inimigos, trabalhamos com eles regularmente, são feitas de pessoas inteligentes ”, disse ele.

    No entanto, Moszkowicz, também esclareceu que não estava tentando  contradizer  Holland, apenas manter seu posicionamento favorável ao streaming.

    “Está tudo correto o que ela disse, mas não se trata apenas de algoritmos, eles são pessoas que amam o que somos. Eu não os vejo como inimigos. Há muitos dados que mostram que as pessoas que usam muito as plataformas vão muito ao cinema, se puderem”, afirmou o produtor.

    O produtor ainda que a situação seja difícil para o cinema no momento as coisas melhorarão no futuro.

    Autor

    • Gabriel Girão

      Jornalista carioca formado pela Estácio. Possui experiência com redação jornalística, assessoria de imprensa, cobertura de eventos, revisão de texto e social media. É redador do Spun Orgânico desde junho de 2024 e escreve sobre entretenimento, famosos e moda.

      Contato: [email protected]


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