A disputa pela Warner Bros. Discovery ganhou um novo capítulo nos bastidores de Hollywood. A Paramount Skydance acusou a Netflix de tentar interferir no processo de aprovação regulatória da fusão bilionária com a Warner, alegando que a gigante do streaming estaria atuando para dificultar a conclusão do negócio.
Veja:
Paramount Skydance’s top lawyer claims Netflix is waging a “scorched-earth campaign” to “poison regulators and other stakeholders” against its pending $111B merger with Warner Bros. Discovery.
— Variety (@Variety) June 9, 2026
“We understand that, as part of its broader proxy war against the transaction, Netflix… pic.twitter.com/NEHGSw68Wv
Segundo informações divulgadas pela Variety, o diretor jurídico da Paramount, Makan Delrahim, enviou uma carta ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos afirmando que a Netflix promove uma campanha para convencer reguladores e outras partes interessadas de que a operação pode prejudicar a concorrência no setor de entretenimento.
Na avaliação da Paramount, a postura da rival demonstra o quanto a empresa vê a futura companhia resultante da fusão como uma ameaça relevante no mercado. A acusação surge meses após a Netflix desistir da disputa pela Warner depois que a Paramount elevou sua proposta para cerca de US$ 111 bilhões (aproximadamente R$ 610 bilhões).
O caso adiciona mais tensão a uma negociação que já enfrenta análises regulatórias em diferentes países e pode redefinir o equilíbrio de forças na indústria do entretenimento global.
Netflix reage e nega qualquer interferência
Após as acusações se tornarem públicas, a Netflix respondeu de forma direta. Em nota enviada à imprensa americana, um porta-voz da empresa classificou as alegações da Paramount como “absurdas” e negou qualquer tentativa de influenciar o processo.
Segundo a companhia, a decisão de abandonar a disputa pela Warner foi tomada há meses e, desde então, o foco da empresa permanece em suas próprias operações. A Netflix também destacou que cabe exclusivamente aos órgãos reguladores decidir se a fusão atende aos interesses do mercado e dos consumidores.
O embate ocorre em meio às discussões sobre possíveis impactos de grandes consolidações no setor. Um dos argumentos citados pela Paramount envolve comparações feitas com a compra da Fox pela Disney, concluída em 2019. Segundo Delrahim, a Netflix estaria utilizando esse caso para sustentar preocupações sobre redução da concorrência e perda de empregos.
O império que pode nascer da fusão entre Paramount e Warner
Caso a operação seja aprovada, a nova empresa passará a controlar algumas das marcas mais valiosas do entretenimento mundial. O conglomerado reuniria ativos como HBO Max, HBO, DC Studios, Cartoon Network, CNN, TNT, CBS, MTV, Nickelodeon, Showtime e Paramount+.
Além dos canais e plataformas, o grupo teria sob seu guarda-chuva franquias como Harry Potter, Game of Thrones, Star Trek, Transformers, Missão: Impossível, O Senhor dos Anéis, Mortal Kombat, Invocação do Mal, Duna, Minecraft e o MonsterVerse.
A escala do negócio explica o intenso escrutínio regulatório. Autoridades dos Estados Unidos e do Reino Unido seguem analisando os possíveis impactos da fusão sobre preços, empregos e concorrência.
Aprovação ainda enfrenta obstáculos regulatórios
Embora os acionistas das duas empresas já tenham aprovado a operação, o acordo ainda depende do aval de diferentes órgãos reguladores. A Paramount trabalha internamente com a expectativa de concluir a fusão até o terceiro trimestre de 2026, mas enfrenta investigações e questionamentos em múltiplas frentes.
Nos Estados Unidos, a Comissão Federal de Comunicações (FCC) analisa o investimento estrangeiro envolvido na operação. Já na Califórnia, o procurador-geral Rob Bonta abriu uma investigação para avaliar possíveis efeitos negativos sobre empregos, qualidade dos serviços e concorrência.
Se a transação não for concluída até 30 de setembro, os acionistas da Warner Bros. Discovery receberão compensações financeiras trimestrais. Em caso de fracasso definitivo por razões regulatórias, a Paramount poderá ser obrigada a pagar uma multa de US$ 7 bilhões (cerca de R$ 38,5 bilhões).
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