A nova série antológica de Guillermo del Toro chegou no dia das bruxas, e através de alguns dos seus episódios, evidenciou algo que já é discutido há décadas: a dificuldade em criar adaptações de H. P. Lovecraft.

    Lovecraft é um nome reconhecido na literatura de horror, sendo um dos responsáveis por popularizar o subgênero de terror cósmico e criações lendárias como o monstro Cthulhu.

    O Gabinete de Curiosidades adaptou as histórias Modelo de Pickman e Sonhos na Casa da Bruxa do autor.

    Embora tenham expandido a história e a tornado algo único, as decisões do que alterar foram feitas em detrimento de certas emoções que H. P. queria evocar com seus trabalhos.

    Na tentativa de deixar o episódio mais atrativo e acessível, a série acabou por anular uma parte de seu caráter mais inquietante.

    Cena de trailer de O Gabinete de Curiosidades de Guillermo Del Toro (Reprodução)
    Cena de trailer de O Gabinete de Curiosidades de Guillermo Del Toro (Reprodução)

    Por que live actions de H. P. Lovecraft não funcionam bem?

    Um dos maiores atrativos das narrativas de Lovecraft sempre foram o princípio de que menos é mais; em grande parte de suas criações, as criaturas são descritas em termos vagos e às vezes sequer são mostradas.

    Nada é mais assustador do que o desconhecido; deixando os leitores preencherem as lacunas e interpretarem a história de acordo com a imaginação de qualquer um.

    Quando traduzindo isso para o audiovisual, é muito difícil manter o caráter assustador sem mostrar nada que gere medo. Ao pegar algo indescritível e criar uma imagem predefinida, a adaptação perde a sensação de desespero e pavor dos livros.

    A “culpa” não é de Del Toro, mas da habilidade de H. P. de produzir algo que é tão bem feito que não é capaz de ser reproduzido. Nem por isso, é claro, as adaptações não podem ser apreciadas pelo que tentam fazer de diferente.

    Sobre O Gabinete de Curiosidades

    Cena de O Gabinete de Curiosidades de Guillermo del Toro
    Cena de O Gabinete de Curiosidades de Guillermo del Toro (Reprodução / Netflix)

    Além das duas histórias de Lovecraft, o programa também apresenta outras seis histórias que, segundo Guillermo, “o mundo é lindo e aterrorizante, exatamente ao mesmo tempo”.

    Confira a lista completa de episódios a seguir:

    A Autópsia dirigido por David Prior
    Por Fora dirigido por Ana Lily Amirpour
    A Inspeção dirigido por Panos Cosmatos
    Sonhos na Casa da Bruxa dirigido por Catherine Hardwicke
    Lote 36 dirigido por Guillermo Navarro
    Modelo de Pickman dirigido por Keith Thomas
    Ratos de Cemitério dirigido por Vincenzo Natali
    O Murmúrio dirigido por Jennifer Kent

    O Gabinete de Curiosidades de Guillermo del Toro está disponível na Netflix.


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    Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]

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