O filme Ninguém Sai Vivo é um dos grandes sucessos de suspense psicológico do último ano, e muita gente nem sabe que ele foi inspirado em um livro.  A obra lançada em 2014 é do autor Adam Nevill, que também escreveu O Ritual. O livro foi um grande sucesso de crítica depois que chegou às prateleiras.

    Apesar de adaptar os eventos da versão escrita, o filme muda detalhes bem significativos do material original, mantendo apenas o tom e a atmosfera misteriosa.

    Cena de Ninguém Sai Vivo (Reprodução)Cena de Ninguém Sai Vivo (Reprodução)

    Quais foram as coisas que foram modificadas para a versão das telinhas?

    Ambar vs Stephanie

    A história do filme segue a trajetória de Ambar, uma mulher imigrante que se muda para os Estados Unidos e se vê obrigada a ficar em uma pensão caindo aos pedaços em Cleveland. Desesperada por qualquer espécie de teto, a moça se hospeda no lugar, até que se dá conta de que o barato pode sair bem caro.

    Ambar e a protagonista original, Stephane Booth, compartilham muitas coisas como as dificuldades em se sustentar, porém suas motivações são bem diferentes: enquanto Stephanie fica na pensão porque não consegue ter uma fonte de renda fixa, Ambar é uma imigrante ilegal que, na falta de documentos, precisa aceitar o que lhe é proposto.

    Cena de Ninguém Sai Vivo (Reprodução)
    Cena de Ninguém Sai Vivo (Reprodução)

    Estados Unidos versus Reino Unido

    Os diferentes conflitos se devem a uma outra mudança, que foi o local onde a história acontece; o livro se passa no Reino Unido, enquanto o filme transporta a trama para os Estados Unidos.

    Por conta disso, as obras retratam conflitos relacionados com os problemas de suas já citadas regiões: o livro mostra a crise econômica que leva a classe trabalhadora britânica à pobreza, enquanto a versão cinematográfica coloca a experiência dos imigrantes em destaque.

    O Monstro

    A maior diferença entre as duas obras é o monstro Black Maggie, que é revelado no clímax do filme. A criatura é uma entidade antiga que se alimenta dos hóspedes da pensão.

    O livro dá a entender que o grande mistério da casa é que o dono Knacker e seu primo obrigariam os moradores a se prostituir e os vendiam para o tráfico humano.

    A verdade é que Black Maggie é uma espécie de criatura milenar que sempre existiu na casa, e que serve como a materialização de como os pobres e vulneráveis são explorados pelo país há séculos, uma analogia bem pesada no filme.

    Cena de Ninguém Sai Vivo (Reprodução)
    Cena de Ninguém Sai Vivo (Reprodução)

    No filme, a entidade tem origem na América do Sul, sem nenhum motivo aparente. A mudança sem razão acaba tirando um pouco da profundidade do enredo original, e acabando com a metáfora da exploração dos pobres.

    Ninguém Sai Vivo está disponível na Netflix.

    Autor

    • Sergio Scarpa

      Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]


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    Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]

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