Em meados da década de 1990, os Mamonas Assassinas agitavam o Brasil com letras irreverentes e carisma ímpar de seus integrantes. O grupo musical formado pelo quinteto Dinho (vocal), Bento Hinoto (guitarra), Samuel Reoli (baixo), Júlio Rasec (teclado) e Sérgio Reoli (bateria), findou-se tragicamente após um sucesso meteórico de cerca de sete meses.

    Fenômenos de audiência, com recordes e shows performáticos nos principais programas dominicais da TV brasileira segunda maior audiência da história do SBT com 47 pontos no Domingo Legal, os Mamonas Assassinas construíram letras críticas, ácidas e humorísticas, além de dividirem momentos espontâneos longe dos palcos.

    Em Mamonas Pra Sempre, o documental aborda essa tríade mantendo um olhar próximo aos artistas, garantindo uma experiência intimista aos espectadores. Lançado em 2009 sob a direção de Cláudio Khans, a produção remonta ao grupo de pequena expressão Utopia.

    Sediado em Guarulhos, o segundo maior município paulista, seus integrantes relatam possuir a “utopia da banda Utopia em gravar um disco e viver profissionalmente como músico”. No entanto, somente sob a alcunha de Mamonas Assassinas que o grupo alçou o ápice de seu fenômeno.

    Celebrado de maneira extremamente sensível através de diversos relatos de pessoas próximas e de um enorme acervo de material histórico, o filme arrisca sua construção do mesmo modo que os artistas: mesclando momentos de descontração entre jovens sonhadores com um objetivo em mente.

    (Divulgação/ SBT)
    (Divulgação/ SBT)

    O arranjo, ao qual concorreu como Melhor Montagem Documentário e Melhor Trilha Sonora na 11ª edição do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, mantém-se na dualidade entre o cômico suave e a ousadia pelo lado expressivo.

    Com uma estrutura segmentada e simples na quantidade de informações, o filme facilita ao espectador entender o processo criativo das mentes dinâmicas por trás de sucessos como ‘Pelados em Santos’, inicialmente intitulada como ‘Mina’, e outras músicas lançadas no único álbum realizado pela banda.

    Com a intencionalidade marcada de enaltecer a trajetória do grupo, o longa-metragem cumpre com honra seu papel de elevar individualmente seus integrantes, assim como os aspectos que os marcaram. No filme, acessar suas experiências em estado puro aproxima o fã dos artistas e coloca as figuras em uma distância mínima daqueles que os admiravam com efervescência.

    (Reprodução/ Globoplay)
    (Reprodução/ Globoplay)

    Embora a construção do filme opte por uma abordagem descontraída, assim como seus protagonistas, itens como videografismos colocam animações caricatas em informações de interesse, como nomes, e ao exemplificar situações de menor expressão. Assim sendo, tornam o cômico em uma forma grotesca e de má apresentação.

    Na direção das entrevistas, por vezes, a ambientação escolhida é feita sem maiores preparos. Embora o desejo por naturalidade, transparece que há uma conversa prévia entre o documentarista e seus respectivos entrevistados, até o estalo de decidir ligar a câmera para dar forma ao projeto.

    Posicionados em meio à área externa ou sentados tranquilamente no sofá da sala de estar, não há elementos significativos para captar a atenção além do relato. Por outro lado, o uso de material de arquivo de alto valor agregado em um projeto que apela à nostalgia e à saudade supre os furos deixados, reavivando a atenção para as raras imagens expostas no filme.

    (Marco Antônio Teixeira/ Agência O Globo)
    (Marco Antônio Teixeira/ Agência O Globo)

    Em pouco mais de uma hora e vinte minutos, embora com simplicidade, o documental faz jus ao seu título. Com uma escolha narrativa que não deixa o espectador se entristecer com a perda do grupo, a direção faz a sensível escolha de não abordar de forma incisiva a tragédia com relatos, ainda que acerca de um evento lamentável, de forma amena.

    Tendo em sua última frase de entrevista a fala “um dia a gente se encontra”, eternizada na música de CBJr e na voz do também falecido Chorão (1970-2013), o filme deixa, de forma sutil, um aprendizado em busca de sua própria genialidade. Agregando referências musicais mistas ecléticas, sem temeridade ao futuro, Mamonas Pra Sempre eterniza o legado de uma das maiores bandas do rock nacional.

    Da construção utópica à semente fértil dos Mamonas Assassinas, a audácia do quinteto guarulhense que “se despiram de qualquer senso crítico” para fazer o que possuem competência e afinidade ultrapassa lógicas mercadológicas e entra para a história.

    Autor

    • Gustavo Alexandreli

      Gustavo Alexandreli é jornalista formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Possui experiência com redação jornalística, com foco em SEO, cobertura de eventos e revisão de textos. Atuo nos nichos de Entretenimento, Cinema, Filmes, Séries & TV. Redator na Spun Mídia desde 2025. Contato: [email protected]


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    Gustavo Alexandreli é jornalista formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Possui experiência com redação jornalística, com foco em SEO, cobertura de eventos e revisão de textos. Atuo nos nichos de Entretenimento, Cinema, Filmes, Séries & TV. Redator na Spun Mídia desde 2025. Contato: [email protected]

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