Chegando aos cinemas no final deste mês de setembro, Sistema Bruto traz um elenco diversificado, com novatos como a protagonista Bruna Viola, e experientes, como Jackson Antunes, que contou ao E-pipoca, em uma entrevista exclusiva, um pouco sobre seu personagem e a experiência na produção e sobre trabalhar com o diretor Gui Pereira.

    Vamos começar falando sobre o seu personagem, o que você pode falar sobre ele para a gente?

    “Meu personagem é o Cleto, tio da [personagem da] Bruna e pai dos [personagens de] César Menotti e Fabiano, que formam uma dupla extremamente animada, bem-humorada. Ele o tio que é pai, cuidador com a sobrinha, mas muito ciumento, embora conselheiro e amigo acima de tudo. Quando a sobrinha diz que vai para competições automotivas, ele é contra, e por isso ela esconde do tio, que tem medo de acidentes e quer protegê-la. Ele sabe que há perigo, mas ela gosta de aventura, velocidade, esportes radicais. Danadinha a menina! [risos]”

    Como foi a sua convivência com a Bruna Viola, protagonista do filme durante as filmagens?

    “Sempre trabalho com atores jovens, e digo que a única diferença nossa é que comecei antes, e como começar primeiro não é uma grande vantagem, acredito que receber as pessoas com amor e carinho está acima de tudo. Com a Bruna não foi diferente, mesmo porque ela já chegou me conquistando. Uma brasileira legítima que gosta de viola, e uma pessoa de uma energia linda, carinhosa. Quando nos abraçamos pela primeira vez foi como se nos conhecêssemos há muitos anos”.

    Jackson Antunes posa vestindo um smoking
    Jackson Antunes (Reprodução Instagram)

    Você a conheceu no set?

    “Eu estive na gravação de DVD do Chitãozinho e Xororó, e quando ela chegou, e riscou a viola tinha algo de mágico, diferente naquela moça, falei com ela que faria o tio dela no filme e ela gritou, ficou muito feliz. Também trabalhamos juntos fazendo uma participação em outro filme rodado em Tiradentes – MG, e tive a felicidade de fazer o pai dela também no clipe Bença. A música é linda, e o clipe também foi lindo, valorizam aquele costume de pedir a benção ao pai, e mãe. Ali nasceu uma parceria muito bonita, respeitosa, então sem dúvida, digo que a Bruna é a nossa grande estrela da viola, a mais amada das violeiras brasileiras e aquele refrão que ela canta ‘lugar de mulher é onde ela quiser’, nunca foi tão importante, e necessário”.

    Cena de Sistema Bruto Reproducao Youtube e1655872443863E ela tem esse lado forte com a música raiz…

    “Acho super bacana a mulher à frente da viola, porque está reavivando na memória do brasileiro a viola caipira. É a continuação de dona Inezita Barroso, das Irmãs Galvão. Que tenham mais jovens mulheres como a Bruna abraçando a viola. Claro que a cultura diversificada é muito importante, mas nossas raízes têm que permanecer, são a razão no nosso respiro. A Bruna é uma pessoa espetacular, e tudo o que ela disse ao meu respeito, digo dobrado a ela”.

    O Gui Pereira, diretor de Sistema Bruto nos contou anteriormente que se impressionou com a atuação da Bruna como estreante numa produção em cinema.

    “Todo cantor já traz consigo uma interpretação interiorizada, é uma grata revelação, e o filme traz em si uma brasilidade gostosa como a participação de duplas sertanejas. O filme é uma comédia de ação, mas tem vários elementos. O Gui já se especializou nessa mistura de ação, e aventura, e coloca na tela um Brasil alegre, feliz, engraçado e com emoção. Ele é um nome muito importante no cinema nacional, guarde esse nome. Os filmes dele são uma coisa muito família, e muito amorosa, e juntando esse amor no set, o resultado acaba surpreendendo porque tudo com amor e afeto é mais verdadeiro e bonito”.

    Como você disse, já tem uma experiência, e acabou abraçando esses jovens atores. Como é isso?

    “O cinema é uma casa que abraça tanto o jovem talento como o ator experiente, é um espaço democrático como o teatro. A televisão também começou a fazer isso. Atualmente a novela Mar do Sertão conta com 70% do elenco do Nordeste, e isso leva a um pertencimento. Sempre fui a favor da regionalização da cultura, e ver isso é bom para o Brasil, para o cinema e para os jovens talentos terem uma chance. Todo mundo espera uma chance não importa a idade”.

    Eles pediam dicas?

    “Contracenar é um ato de amor, e sou muito amoroso com meu colega em cena. O Guile Branco, que chamo de ‘maior galã do Brasil’ já veio com um pensamento da direção americana, ele provoca muito, vem com algo além do texto, e fazia isso de forma respeitosa e amável. A experiência do ator não conta muito, mas o amor, a simplicidade e ser pé no chão sim. O cara que acha que sabe muito atrapalha. O cinema é arte do diretor, você se prepara de certa maneira, dá um tom alto ou baixo e o diretor vai lá e fecha o quadro e fala: ‘você só levanta a cabeça e olha para aquele lado’, e ele já tem o resultado ali. [Com todos] Foi uma troca de carinho, de ternura”.

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    Jackson Antunes em cena de Sistema Bruto (Divulgação)

    O filme tem participações de cantores sertanejos, pra você como cantor, como foi? Se sentiu em casa?

    “Demais. Eu sendo pai de Cesar Menotti e Fabiano, que são meus amigos – lembro quando eles cantavam nos barzinhos de Belo Horizonte- foi incrível. Eles fazem humor com muita facilidade. No filme, eles são dois filhos preguiçosos que o pai bota para trabalhar como caminhoneiros e nos divertimos muito. Nas horas vagas, tinha cantoria, fizemos duetos no set, sem falar que antes de gravar, Bruna também cantava. Talvez foi um dos sets mais prazerosos que participei. O set de cinema tende a ser um ambiente tenso, tem mudado, mas quando você tem música, viola, dá uma descontraída. Essa descontração se revela na cena”.

    Você esteve em Coração de Caubói, primeiro filme dirigido pelo Gui Pereira e está no segundo, Sistema Bruto. Como é essa parceria?

    “Ai dele se não me chamar para um terceiro filme (risos). Me apaixonei pelo Gui no primeiro momento que me encontrei com ele. Uma educação, moço fino, elegante, culto e acessível. O grande talento de um homem é a sua simplicidade, seu carinho e trato com o outro. Você nunca vai ver o Gui no set subir a voz. Ele vai no ouvido da pessoa, sempre sorrindo e bem humorado, e isso é bacana para o processo do trabalho que em si é muito exaustivo. Coração de Caubói marcou um grande encontro com um garoto que hoje é um grande sucesso no Brasil que é o Gabriel Sater. Fico aqui procurando palavras para poder definir o que Gabriel é, diria que ele é a doçura em pessoa, talento mais sublime que conheci, um príncipe. Teve uma oportunidade e está aproveitando, e vimos em Coração de Caubói ele ter um personagem difícil, que navegava por várias nuances e fez muito bem. O olhar do Gui e sensibilidade fez com que apostasse naquele jovem ator, brilhante para fazer aquele personagem tão difícil. Ali estabeleci uma relação, que o Almir não fique com ciúme, mas uma coisa quase de pai para filho. Até hoje nossa relação é assim. Sempre falo com ele, e sempre me emociono ao encontrá-lo. Quando começo a perder a esperança nesse país, penso nessas pessoas que me apontam um futuro bem mais bonito, e entre elas está meu filho José Victor, Gabrielzinho, Cauã Reymond, de quem fui pai na ficção. Quando você passa dos 60 anos, olha para trás, e fica em paz por saber que tem uma rapaziada vindo com responsabilidade, compromisso, e isso para os profissionais da minha geração traz conforto, saber que o pessoal está pegando o bastão e remando. Nessa pandemia, nós achamos que os artistas ficariam loucos, presos num apartamento, e vimos movimentos de lives em todos os lados, música acalentando o coração das pessoas, e a arte sai revigorada, o artista sai fortalecido e com uma amostra importante que o artista é imprescindível na sociedade”.

    Jackson Antunes em cena de Sistema Bruto Reproducao Youtube
    Jackson Antunes em cena de Sistema Bruto (Reprodução Youtube)

    Qual sua expectativa para a estreia de Sistema Bruto, e como você quer que as pessoas se sintam após assistirem ao filme?

    “Acho que vai provocar uma alegria enorme. Rodamos o filme com todos os protocolos de testagem no meio da pandemia, e ele é a prova viva da força, energia, vitalidade e talento do cinema brasileiro. A sensação que o público vai ter é: ‘caramba, nosso cinema hoje está equiparado ao melhor do mundo’, em relação ao lado técnico, fotografia, direção, interpretação. O filme tem humor, e tudo precisa ter um pouco de humor. O cérebro da gente de um lado sorri e do outro chora, e quando se encontra essas duas conexões, se ativa um estado de alegria dentro de nós, e acho que isso causa o aplauso. Sempre fiquei pensando de onde vinha o aplauso, e ele vem de um estado de satisfação, e acho que é isso que o Sistema Bruto vai causar. É bom saber que fazemos bom cinema, que nossa telenovela é respeitada, que o artista brasileiro é reconhecido no mundo inteiro, que o pessoal respeita nosso Samba, Bossa Nova, que essas meninas que estão chegando, As Patroas viajam o mundo todo, e nos traz uma autoestima grande, dá orgulho saber que nossa arte é consumida no mundo inteiro e com qualidade”.

    Sistema Bruto chega aos cinemas em 29 de setembro. Confira o trailer:

    Autor

    • Sergio Scarpa

      Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]


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    Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]

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