Foi ao ar neste domingo (25), na HBO e na Max, o último episódio da segunda temporada de The Last of Us, e finalmente os fãs descobriram como foi o desfecho da jornada de vingança de Ellie (Bella Ramsey) contra Abby (Kaitlyn Dever), ou quase isso.
O episódio se concentrou quase que totalmente em Ellie e em sua reflexão sobre se deve ou não levar seu plano de vingança até o fim. Isso começa quando ela desabafa com Dina (Isabela Merced) sobre o que fez com Nora (Tati Gabrielle) e o quanto foi fácil extrair informações dela sendo simplesmente cruel.
Ellie e Jesse (Young Mazino) também têm seus momentos, e os dois discutem suas prioridades. Isso pode soar como uma crítica à forma egoísta como Ellie se comportou ao longo da temporada. Contudo, no fundo, não há exatamente egoísmo em certas atitudes — cada um protege quem é mais importante, seja uma pessoa ou uma comunidade inteira.
Porém, a atitude de Ellie ainda pode ser considerada equivocada: Abby não representa uma ameaça direta à sua comunidade. Joel (Pedro Pascal) morreu, sim, mas a vingança não traz nada além de mais destruição. E é isso que a jovem verá a seguir.

Em outro momento, Isaac (Jeffrey Wright) verbaliza que Abby deve liderar a WLF caso algo aconteça com ele. Contudo, essa informação teria muito mais impacto se fosse descoberta organicamente na temporada seguinte.
Ellie, sem querer, acaba descobrindo onde Abby está. A partir daí, ela se torna uma caçadora. A cena na tempestade deixa tudo mais tenso, porém há algumas quebras desnecessárias — como quando o barco de Ellie vira e, depois, ela é sequestrada pelos Serafitas.
Apesar de desnecessária, a cena com os Serafitas é tensa e atiça a curiosidade sobre como a protagonista vai sair daquela situação. Mas tudo se resolve muito rápido, quando ela é “salva pelo gongo”. Deixada para trás pelos Serafitas, Ellie volta ao seu objetivo inicial.
É na cena seguinte que The Last of Us mostra o seu melhor ao lidar com grandes dilemas e a sensação de impotência. A sequência entre Owen (Spencer Lord) e Mel (Ariela Barer) é tensa e dolorosa, especialmente com a adição dramática de Mel suplicando a Ellie que salve seu bebê antes de morrer.
Em seguida, Ellie se reúne novamente com Tommy (Gabriel Luna), Jesse e Dina. Ellie e Jesse reatam a amizade, enquanto Tommy faz a jovem refletir sobre sua vingança. Ellie percebe que trouxe muita dor para pessoas inocentes em sua jornada e terá que aceitar que não matará Abby.

Mas uma reviravolta acontece, e os caminhos de Ellie e Abby se cruzam novamente. O momento do reencontro termina em tragédia, com um gancho para o desfecho na próxima temporada.
Apesar dos tropeços, o episódio final tem seus pontos altos. O diálogo entre Ellie e Jesse funciona muito bem, especialmente porque o roteiro permite que eles reparem a amizade momentos antes do choque da morte dele. A reação de Abby, devastada ao perceber que deu uma chance a Ellie e ela a desperdiçou, adiciona uma camada importante à sua própria jornada de dor, escolhas e consequências.
E é aí que a série ainda acerta em cheio: na complexidade moral que permeia cada personagem. A pergunta nunca é simplesmente quem está certo ou errado, mas sim até onde cada um está disposto a ir por amor, vingança ou sobrevivência. Ellie, que passou a temporada questionando se a violência era um caminho sem volta, agora está mergulhada até o pescoço nas consequências de suas escolhas. Nora, Owen, Mel, Jesse — todos mortos em seu rastro.
O mais interessante — e também mais desconfortável — é perceber que a busca de Ellie é, acima de tudo, egoísta. Abby não representa uma ameaça direta à sua comunidade. Joel morreu, sim, mas a vingança não traz nada além de mais destruição. Algo que o próprio Tommy tentou fazer Ellie entender.
Com uma terceira temporada já garantida, que deve focar na perspectiva de Abby, The Last of Us deixa para trás uma temporada corajosa, porém profundamente irregular. As qualidades estão lá: momentos de pura tensão, atuações comoventes e discussões morais complexas. Mas também estão presentes escolhas narrativas questionáveis, uma condução emocional instável e uma tendência incômoda de subestimar seu próprio público.
No fim, a temporada reflete seus próprios personagens: dividida, cheia de cicatrizes e assombrada pelas consequências de cada decisão.
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