Com protagonistas de peso e uma história cheia de suspense, Atena mergulha em um Brasil sombrio e muito real. O longa, estrelado por Mel Lisboa e Thiago Fragoso, mistura drama, tensão e crítica social ao retratar a jornada de uma mulher marcada por traumas e pela busca por justiça.
Em entrevista ao E-Pipoca, o diretor Caco Souza falou sobre o processo de escolha do elenco, os desafios técnicos das filmagens e a responsabilidade de retratar uma realidade brutal que afeta tantas mulheres no país. Ele comentou ainda a entrega intensa dos atores, os bastidores das cenas mais pesadas e a possibilidade de que a história de Atena não termine nos créditos finais.

A escolha do elenco de Atena
Como Mel Lisboa e Thiago Fragoso chamaram sua atenção para serem as estrelas de Atena, e como foi o trabalho de desenvolvimento dos personagens?
“Eu já admirava o trabalho dos dois, e quando comecei a pensar nos protagonistas de Atena eles me vieram à cabeça quase de imediato. A Mel tem uma presença muito forte e carrega uma impressionante emoção no olhar — e isso era fundamental para a trama. Já o Thiago tem essa coisa humana, natural que traz complexidade ao papel dele. Nós trabalhamos juntos desde o início na construção dos personagens, conversando muito sobre o enredo, as motivações, e isso foi essencial pra trazer essa profundidade que o filme trás”.
Mel Lisboa protagoniza algumas cenas de ação e luta. Como foi fazer estas cenas?
“A Mel foi gigante. Ela se preparou muito, física e emocionalmente. As cenas de luta no filme não são muito ‘coreografadas’ — são brutas, viscerais, tem dor e verdade. Tiveram cenas pesadas mas necessárias, mas o resultado tá lá na tela. E teve ainda o auxilio luxuoso do faixa preta Fepa Lopes”.
O filme tem uma parte técnica muito interessante, na captação das cenas e muitas cenas noturnas. Houve alguma dificuldade ou desafio para realizar alguma cena?
“Ah, teve vários perrengues . Filmar de noite, no frio, em mata … é sempre um desafio. A gente queria usar a noite como elemento dramático mesmo, então não dava pra facilitar e a equipe segurou a onda. A fotografia foi pensada pra ser sutil, misteriosa, sem perder a clareza. Foi um baita desafio técnico, mas também muito prazeroso de fazer”.

Assustadoramente perto da realidade
O filme é assustadoramente próximo da realidade. Qual foi a inspiração para escrever esse filme? As histórias de abuso e violência são baseadas em casos reais?
“Infelizmente, sim. O Brasil tem muitos casos de abusos sexuais, na maioria silenciados. O roteirista e produtor do filme, Enrico Peccin, partiu de relatos reais, entrevistou várias vítimas, enfim, ele pesquisou bastante. A personagem Atena é uma síntese dessas histórias que ele coletou. Ela é ficcional, claro, mas inspirada em fatos reais. O filme surge dessa indignação — e também da vontade de dar uma visibilidade maior a tudo isso”.
Por lidar com temas pesados, houve assistência emocional para os atores, principalmente para Mel Lisboa, para lidar com possíveis gatilhos? E na hora de escrever estas cenas, houve algum suporte de profissionais até para entender como esses criminosos agem?
“Não contamos com apoio psicológico profissional durante as filmagens. Mas a Mel foi extremamente corajosa e mergulhou fundo na personagem. Foram cenas muito difíceis de interpretar e ela conseguiu sustentar de uma forma muito forte, muito comprometida”.
Nós temos um Brasil muito vasto de localidades, e geralmente as produções nacionais acabam ficando muito no eixo Rio-SP. Teve algum motivo particular para fazer esta história se passar em Gramado?
“Gramado tem essa cara de cidade perfeita, turística, organizada… E justamente por isso, achei interessante contar essa história ali. A violência contra a mulher, lamentavelmente está em todo lugar. O filme se passa em Gramado mas poderia estar em qualquer outra cidade do mundo. Veja o caso recente de abuso sexual da francesa Gisèle Pelicot, drogada e oferecida a estupradores pelo próprio marido numa pequena cidade do sul da França”.
- Atriz de Monarch usou trauma da vida real para conseguir viver personagem da série
- Crítica: Atena encena fúria e justiça feminina com estilo e pressa

Expectativas em relação a Atena
Você espera que com esse filme mais mulheres ganhem força para denunciar a violência que sofrem?
“Que o filme auxilie de alguma forma, a dar coragem pra quem vive isso. A Atena não é um modelo a ser seguido, mas é uma representação de força. Se alguma mulher assistir e se sentir menos sozinha, ou se sentir encorajada a denunciar, já valeu tudo”.
Você também espera que com este filme haja uma conscientização sobre o quanto é falho o Estado em proteger as vítimas de violência?
“Espero, sim, que o filme ajude a levantar essa reflexão. A gente sabe que existem avanços, políticas públicas importantes, mas também sabemos que ainda falta muito. Muitas mulheres continuam desprotegidas, sem acolhimento, sem respostas. Atena mostra uma realidade dura justamente pra provocar esse debate — sobre o que ainda precisa melhorar, sobre como o sistema pode ser mais eficiente e humano no cuidado com as vítimas”.
Não dá para deixar de notar que Atena tem um quê de série. É uma história única ou a jornada da protagonista pode continuar?
“Olha, muita gente tem me perguntado isso. Por enquanto, a história está completa no filme. Mas sim, a personagem tem força pra continuar, tem mais caminho. Se aparecer a oportunidade certa, quem sabe?”
Atena estreia nos cinemas nesta quinta-feira 31 de julho, nos cinemas do Brasil.
Deixe seu comentário
Adoraríamos saber sua opinião!




