No próximo dia 10, chega aos cinemas o filme Depois da Caçada, que traz nomes como Julia Roberts, Andrew Garfield e Ayo Edebiri, com direção de Luca Guadagnino e roteiro de Nora Garrett.

    Na trama, a professora universitária Alma Olsson (Julia Roberts) se vê em uma encruzilhada quando a estudante Maggie (Ayo Edebiri) faz uma acusação contra o professor Hank (Andrew Garfield). Ao mesmo tempo, um segredo obscuro de seu próprio passado ameaça vir à tona.

    Julia Roberts e Andrew Garfield em Depois da Caçada - Reprodução/Sony Pictures
    Julia Roberts e Andrew Garfield em Depois da Caçada – Reprodução/Sony Pictures

    Assim como qualquer pessoa, seria possível acreditar que uma produção com estrelas consolidadas de Hollywood pudesse dar errado? Pois é, eu também não acreditaria, mas é exatamente isso que vemos ao longo das 2h14 de duração.

    O filme começa em tom dramático, com iluminação mais escura, mostrando a vida de uma professora de filosofia de meia-idade na renomada Universidade de Yale. Embora os diálogos iniciais sejam descartáveis, eles ajudam na construção dos personagens.

    Importante ressaltar que todos têm uma forma caricata de agir. Alma, por exemplo, é casada com um marido que ama cozinhar, mas detesta tudo o que ela faz. Já Hank é o típico professor descolado, adorado pelos alunos, que se esconde atrás de pensamentos rasos.

    ulia Roberts e Andrew Garfield em Depois da Caçada - Reprodução/Sony Pictures
    ulia Roberts e Andrew Garfield em Depois da Caçada – Reprodução/Sony Pictures

    A partir dos 30 a 40 minutos, a produção começa a ganhar forma: um escândalo, a revelação de um ato envolvendo Hank e Maggie. (Não é preciso ser muito atento para entender o que, de fato, acontece.) Maggie tenta buscar apoio em Alma, sua professora favorita, mas se assusta com o comportamento frio da mesma.

    Daí em diante, é ladeira abaixo. A produção é repleta de cenas que não levam a lugar nenhum e parecem existir apenas para prender o espectador à espera de uma revelação mais obscura (o que não acontece em nenhum momento). Conforme a trama se desenrola, você começa a questionar as atitudes da personagem de Julia Roberts, mas não consegue chegar a nenhuma conclusão.

    A única coisa positiva em meio a tudo isso é a construção das cenas envolvendo Andrew Garfield. O jogo de câmeras para focar em seus olhos, gestos e ações faz com que o público crie um sentimento negativo em relação ao personagem, exatamente como proposto pela direção e pelo roteiro. No entanto, após uma hora de filme, tanto o personagem quanto o ator se tornam esquecíveis. (E, sinceramente, é um desperdício trazer Andrew para a produção e dar a ele pouquíssimo tempo de tela.)

    Ayo Edebiri em Depois da Caçada - Sony Pictures/Reprodução
    Ayo Edebiri em Depois da Caçada – Sony Pictures/Reprodução

    O que mais incomoda é que a história de Depois da Caçada poderia ser bem contada sem tantas “cenas vazias”. Literalmente, nenhum detalhe da vida pessoal de Alma Olsson é explorado. Desde o início da trama, é mostrado que ela tem algum problema de saúde e precisa tomar remédios diariamente, mas isso nunca é esclarecido até o final,um detalhe irritante e irrelevante para a conclusão.

    No geral, 90% do filme é arrastado. Acredito que, se a direção não tentasse ser tão poética, teríamos um potencial blockbuster em mãos. Porém, a forma como tudo é apresentado resulta em algo tedioso, bagunçado e descartável.

    Se você pretende assistir Depois da Caçada apenas pelo brilhante elenco, prepare-se: há grandes chances de sair tão decepcionado quanto eu saí.

    Como dito acima, o filme estreia nos cinemas no dia 10 de outubro.

    Confira o trailer abaixo!


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    Jornalista carioca formado pela Estácio. Possui experiência com redação jornalística, assessoria de imprensa, cobertura de eventos, revisão de texto e social media. É redador do Spun Orgânico desde junho de 2024 e escreve sobre entretenimento, famosos e moda. Contato: [email protected]

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