Ryan Murphy não se arrepende de sua decisão de não contatar o pai de Jeffrey Dahmer para sua série Um Canibal Americano, e explica o porquê.
O showrunner da atração concedeu uma entrevista à revista da Variety e rebateu as acusações de falta de respeito de parte dele, pois não envolveu a família da figura central da trama no projeto.

De acordo com o produtor, Jeffrey está no centro de sua narrativa, mas em sua produção, ele queria mostrar o lado das pessoas que ele matou:
“Eu nunca me interessei em Jeffrey Dahmer, o monstro. Eu tinha interesse em tudo o que o tornou do jeito que ele era. O fato de que todos os personagens desse projeto são vistos como seres humanos de verdade deixa algumas pessoas desconfortáveis.”
“Eu entendo isso e tento não ter uma opinião a respeito. Nós sempre tentamos deixar o foco completo nas vítimas”, esclareceu.
A respeito das queixas de não ter ligado para o pai do serial killer, Ryan também está firme em sua decisão. De acordo com ele, Lionel Dahmer já contou seu lado do caso, e por conta disso, é hora de dar espaço a outras pessoas:
“Eu já fiz muitas cinebiografias. É quase como se fosse o trabalho de um repórter; eu sempre tentei manter um lugar de neutralidade. Eu acho que nós estávamos contando uma história bem específica, e para mim Lionel já pôde contar a sua. Essa história não era dele.”
Dahmer e a Tag LGBT: “Nem toda história gay tem final feliz”

Dahmer: Um Canibal Americano foi alvo de muitas críticas quando foi lançada, pelos mais diversos motivos. Um deles foi a inclusão da tag LGBT entre as usadas para classificar a série no catálogo da Netflix, o que para muitos não era de bom tom.
Ryan defendeu o uso, explicando o foco nas vítimas de Jeffrey, e que mesmo sendo uma tragédia, essa história é sobre a vida deles como pessoas LGBT:
“A regra da minha carreira tem sido: quanto mais específico você for, mais universal você pode se tornar. Eu também não acho que todas as histórias gays tenham que ser histórias felizes. Houve um momento na Netflix em que eles removeram a tag LGBT de Dahmer, e eu não gostei. Perguntei por que eles fizeram isso e eles disseram que era porque as pessoas estavam chateadas por ser uma história perturbadora. Eu reagi: ‘Bem, sim’. Mas era a história de um homem gay e, mais importante, de suas vítimas gays”.
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