Tesouro, inspirado em uma história real que originou o romance de Lily Brett, acompanha Ruth (Lena Dunham), uma jornalista que viaja à Polônia com seu pai, Edek (Stephen Fry), para conhecer os locais onde ele viveu antes do Holocausto. Enquanto ela busca se conectar com o passado, ele reluta em reviver essas memórias, sabotando a viagem com situações inesperadas.
O filme começa com o reencontro entre pai e filha, e logo percebe-se que ambos não se dão muito bem e que tem personalidades contrastantes. Ruth parece ser uma pessoa centrada e controlada, enquanto Edek se mostra um homem que faz o que acha melhor sem se importar com os outros, principalmente a filha.
No decorrer de Tesouro os problemas tanto de Ruth quanto de Edek são explorados, e a dinâmica entre os dois começa a mudar. Ruth quer recuperar a tudo custo o legado de sua família judia, enquanto o pai dela quer se manter longe de qualquer coisa que o ligue ao passado. É difícil escolher um lado entre os dois personagens.
Ruth lida com problemas pessoas que vão desde alimentação até o termino de seu relacionamento amoroso. Enquanto Edek quer proteger a sua filha a todo custo de um mundo cruel. Mas ambos estão tão presos em seus próprios mundos que se torna difícil um enxergar as entrelinhas entre cada atitude, e principalmente, um se recusa a falar abertamente com o outro.
Além dos problemas familiares, o filme explora os resquícios do Holocausto. Embora a guerra tenha acabado, ainda resta muito preconceito que sobrou do nazismo. É perceptível como Ruth e Edek são tratados como inferiores em qualquer lugar que chegam pelo simples fato de serem judeus. Mas o filme mostra que ainda há pessoas boas e dispostas a ajudar. O filme também revela como algumas pessoas vivem de forma decadente no pós-guerra.
Próximo do final do filme as peças do quebra-cabeça finalmente se encaixam e cada atitude dos dois protagonista passa a fazer muito mais sentido, o que deixa toda a história muito mais emocionante.
Lena Dunham e Stephen Fry conseguem entregar um boa atuação em interpretar uma filha e um pai que não conseguem se conectar direito. Mesmo que não haja nenhum momento de extrema emoção, quando um passa a compreender melhor outro, é possível sentir o que eles sentem.
Tesouro mostra o quanto é difícil se abrir pra o outro, e o quanto o que guardamos dentro de nós pode ser prejudicial. Mas também mostra que baixar a guarda e deixar tudo muito claro é terapêutico, e momentos de cumplicidade são libertadores e ajudam a encontrar o tesouro dentro de cada um.
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