Cinquenta e quatro anos depois. A Noite dos Mortos-Vivos continua sendo considerado um clássico do terror e o precursor do subgênero de zumbis, e usado como exemplo para a discussão do racismo através do tema.

    Embora muitos fãs tenham feito a correlação entre o filme e questões raciais da época, o diretor George Romero sempre refutou a ideia e explicou a teoria como pura coincidência.

    A Noite dos Mortos-Vivos (Reprodução)
    A Noite dos Mortos-Vivos (Reprodução)

    Gary Streiner, membro da equipe de produção do filme, confirmou em entrevista no aniversário do lançamento do filme que o tema acabou entrando no filme por mero acaso:

    “As pessoas foram pegas completamente de surpresa pelo comentário social fo filme. A gente provavelmente teve uma das maiores bênçãos que podiam acontecer quanto conseguimos que o Duane Jones interpretasse o papel principal. Aquele nunca foi o plano, foi algo totalmente por acidente.”

    O artista contou que uma série de coincidências juntaram equipe e ator no mesmo lugar, e que depois de um breve teste, havia ficado claro que Duane era a pessoa certa para o papel de protagonista:

    “O papel seria originalmente interpretado por Rudy Ricci e aí uns amigos nossos conheciam Duane e ele morava perto de onde estávamos e estava em casa naquele final de semana. Alguém disse: ‘Ei, vocês tem que fazer um teste com ele, ele está na cidade e eu acho que ele seria ótimo para o papel’. George leu com ele e foi isso.”

    “Mas ele foi escolhido puramente por sua habilidade em atuação, não por uma crítica social no filme”, esclareceu.

    Como A Noite dos Mortos-Vivos retrata o racismo?

    Duane interpreta o personagem Ben, que assume o papel de líder do grupo quando eles se veem cercados por zumbis que cercaram a fazenda onde esão escondidos. O tema racial apontado pelos espectadores se origina do fato de Duane ser um homem negro em uma posição de comando.

    Duane Jones como Ben em A Noite dos Mortos-Vivos (Reprodução)
    Duane Jones como Ben em A Noite dos Mortos-Vivos (Reprodução)

    Embora nunca discuta isso de maneira aberta no filme, os conflitos entre os outros personagens, brancos, e Ben tem uma conotação de tensão racial.

    Vale lembrar que o filme foi lançado em 1968, década em que o movimento de Direitos Civis nos Estados Unidos estava em grande choque contra os conservadores, e mesmo ano em que o líder do movimento Martin Luther King Jr. foi assassinado.

    Mesmo não tendo sido a intenção de seus criadores, o comentário do filme permanece, e a crítica que passa merece, mesmo assim, ser usada nas discussões que, infelizmente, ainda precisam acontecer sobre racismo em pleno século 21.

    A Noite dos Mortos-Vivos está disponível para streaming através do Telecine Play.

    Fonte: ComicBook

    Autor

    • Sergio Scarpa

      Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]


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    Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]

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