Embora o nome do filme seja Jurassic World: Recomeço, não há nada de reinício — é apenas mais um capítulo da franquia jurássica que começou em 1993 com Jurassic Park. O longa-metragem é uma boa aventura, contudo, faz questionar se já não está na hora de extinguir a franquia de uma vez por todas ou haver um recomeço realmente satisfatório para ela.

    A história do filme se passa logo após Jurassic World: Domínio e mostra que a maioria dos dinossauros não conseguiu sobreviver na natureza, com alguns poucos espécimes vivendo em regiões próximas ao equador. É então que um grupo é formado para coletar o DNA de três grandes dinossauros, com a boa intenção de criar um medicamento capaz de salvar vidas.

    Esse grupo é formado pelo ricaço farmacêutico Martin Krebs (Rupert Friend) e inclui Zora Bennett (Scarlett Johansson), Dr. Henry Loomis (Jonathan Bailey) e Duncan Kincaid (Mahershala Ali). No caminho para a ilha onde os dinossauros estão, eles acabam resgatando a família Delgado: Ruben (Manuel Garcia-Rulfo), Teresa (Luna Blaise), Isabella (Audrina Miranda) e Xavier (David Iacono).

    Jurassic World: Recomeço começa conectando-se com Jurassic World (2015), mostrando um laboratório onde as primeiras experiências com híbridos começaram e como várias delas deram errado. A expectativa é de que o filme siga um caminho mais voltado à ficção científica do que à aventura, mas isso não acontece.

    Diretor repete erros

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    Distortus Rex em Jurassic World: Recomeço (Reprodução / Universal Pictures)

    Gareth Edwards comete os mesmos erros de Godzilla (2014) em Jurassic World: Recomeço. Ele tenta forçar empatia com histórias comoventes dos personagens principais para, depois, simplesmente descartá-las. Assim como no filme do MonsterVerse, o diretor dá mais destaque ao componente humano e deixa os monstros como pano de fundo — mas sem equilíbrio.

    O Dr. Henry Loomis é o personagem mais simpático de todo o filme. Ele consegue resgatar aquilo que faz muitas pessoas se encantarem com dinossauros, principalmente em uma cena específica com os Titanossauros. Scarlett Johansson, que era a grande promessa do filme, não consegue atingir todo o seu potencial e vira apenas uma mulher durona. Mahershala Ali fica meio apagado diante de tantas outras tramas acontecendo.

    É fácil gostar da família Delgado à primeira vista, embora Xavier seja um desperdício como alívio cômico. Eles não são uma família despreparada; sabem o que fazer para sobreviver e entregam o necessário — nada mais, nada menos. Quanto a Dolores, a pequena Aquilops, era uma promessa de venda de muitos brinquedos para a franquia, mas será facilmente esquecida.

    Os dinossauros

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    Tiranossauro em Jurassic World: Recomeço (Reprodução / Universal Pictures)

    A forma como os dinossauros são representados em Jurassic World: Recomeço é um ponto forte do filme. Você realmente sente a dimensão de como eles são colossais. O tiranossauro deste filme parece o maior da franquia, e dá para sentir o quanto ele é pesado ao se mover — porém, ele não parece tão amedrontador quanto a Rexy.

    A maior cena de ação fica com o Mosassauro e os Espinossauros, entregue logo nos primeiros momentos do filme. As outras cenas com dinossauros acabam não sendo tão surpreendentes, pois o filme sofre da “síndrome do trailer que entrega tudo”. Até a cena do barco — que os fãs tanto queriam ver adaptada para a tela grande — perdeu sua empolgação.

    Quanto ao Mutadon e ao D-Rex, foram duas grandes ideias desperdiçadas. Havia tanto potencial nos dois, principalmente para explorar as experiências feitas pelos cientistas do Jurassic Park. O Mutadon serviu apenas para fazer referência às cenas com Velociraptors em Jurassic Park 1 e 2. O D-Rex foi esquecido até o final do filme e não faz nada além de barulho.

    Efeitos visuais

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    Quetzalcoatlus em Jurassic World: Recomeço (Reprodução / Universal Pictures)

    Outro ponto positivo de Jurassic World: Recomeço são os cenários, principalmente enquanto os personagens exploram a floresta. É preciso ficar atento, pois sempre há algo se mexendo em algum lugar — inclusive dinossauros e outros animais camuflados.

    Os efeitos especiais são bons e não deixam a desejar em relação aos filmes anteriores ou a qualquer outro do gênero.

    Um filme que mexe com a nostalgia

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    Dilofossauro em Jurassic World: Recomeço (Reprodução / YouTube)

    Foi legal ver diversas cenas “espelhadas” dos filmes anteriores — como quando o Mutadon persegue os Delgado na loja do posto de gasolina, assim como os Velociraptors perseguem Tim e Alex na cozinha, ou o Tiranossauro caçando o bote, igual Rexy destroçando o jipe em Jurassic Park.

    A trilha sonora também ajudou bastante em diversos momentos nostálgicos. Por um lado, fazer cenas que referenciam os filmes antigos foi interessante de assistir, mas sustentar isso por sequências inteiras deixou um gosto querer algo inédito.

    Edwards cumpre a promessa de que Jurassic World: Recomeço é uma carta de amor para Jurassic Park e Steven Spielberg.

    Não parece um recomeço, mas uma carta de despedida

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    Titanossauro em Jurassic World: Recomeço (Reprodução / YouTube)

    O longa é decente ao entregar uma aventura realmente gostosa de assistir, mas falha em explorar seus personagens e em equilibrar drama e aventura. Mas o maior pecado é deixar de lado o principal: a ficção científica.

    Se eu pudesse comparar Jurassic World: Recomeço a outro filme da franquia, seria Jurassic Park III. O filme poderia ter sido facilmente uma história derivada em animação como Jurassic World: Acampamento Jurássico.

    Como fã, Jurassic World: Recomeço me pareceu mais uma carta de despedida — uma forma de dar desfecho aos acontecimentos de Jurassic World: Domínio e se despedir dos dinossauros, do que iniciar uma nova trilogia (se isso realmente acontecer).

    Como os próprios personagens do filme comentam que os dinossauros não são mais tão populares, talvez esteja na hora de a franquia virar fóssil — ou ser revivida de uma forma que realmente a honre como deve ser.


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    Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]

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