Como Treinar o Seu Dragão é o que se espera de uma versão live-action de um filme: recontar a história original com atores reais e nada mais. E é essa fidelidade que faz desse filme algo tão incrível. Ele não tenta contar novas histórias, mudar personagens ou criar uma reviravolta que não existe no original. Você simplesmente está vendo uma versão em alta definição da animação de 2010.

    Desde a primeira cena até a última, você reassiste ao desenho animado praticamente quadro a quadro — inclusive, muitas das falas são as mesmas. As poucas mudanças que existem no longa-metragem servem para dar mais profundidade aos personagens ou mais emoção a algumas cenas. Assistir dublado gera ainda mais essa sensação de fidelidade, pois grande parte do elenco de dublagem é o mesmo que participou da animação original da DreamWorks.

    A caracterização dos personagens ficou sensacional. Mesmo que os atores não tenham o mesmo porte físico de suas versões animadas, a maquiagem e os figurinos conseguiram deixá-los bem próximos. Um exemplo é o Stoico de Gerard Butler: o ator realmente parece tão imenso quanto sua versão animada.

    Mason Thames como Soluço e Nico Parker como Astrid em Como Treinar o Seu Dragão (Reprodução / Universal Pictures)
    Mason Thames como Soluço e Nico Parker como Astrid em Como Treinar o Seu Dragão (Reprodução / Universal Pictures)

    Butler transmite bem a ideia de que é um chefe viking durão, mas que, no fundo, tem um grande coração. Nick Frost como Bocão também não deixa a desejar nesse personagem icônico. Mason Thames conseguiu ficar bem próximo do Soluço original, seja pela caracterização ou pelo jeito um pouco atrapalhado de ser.

    Quanto a Astrid (Nico Parker), Melequento (Gabriel Howell), Perna de Peixe (Julian Dennison), Cabeça-Dura (Harry Trevaldwyn) e Cabeça-Quente (Bronwyn James), continuam apenas como personagens de fundo para alívio cômico, sem perderem suas essências. No entanto, as histórias de Astrid e Melequento ganharam um pouco mais de profundidade, embora isso não seja explorado mais a fundo ao longo do filme.

    Por parte da Astrid, ela se aprofunda na questão de como a vida dos vikings é difícil, servindo como contraponto à vida mais fácil de Soluço como filho do chefe da aldeia. Nico consegue manter bem a personalidade durona e charmosa da personagem.

    Já a história de Melequento se aprofunda ao mostrar sua tentativa de conseguir a aprovação do pai, mesmo que de forma superficial. Dá dó ver o quanto ele se mostra otimista, mesmo quando é totalmente desprezado, tentando sair de situações constrangedoras.

    Mason Thames como Soluço em Como Treinar o Seu Dragão (Reprodução / Universal Pictures)
    Mason Thames como Soluço em Como Treinar o Seu Dragão (Reprodução / Universal Pictures)

    É claro que pessoas reais não têm o mesmo carisma de um desenho animado. Mas pode-se ver que os personagens originais de Como Treinar o Seu Dragão estão na tela. São os mesmos que me encantaram pela primeira vez quando os vi.

    Sobre Berk, o diretor Dean DeBlois e a equipe do filme fizeram um trabalho excelente em adaptar a ilha e a cidade onde os vikings moram, em todos os detalhes. É tudo muito palpável, e não dá para saber o que é cenário e o que é CGI. Aliás, uma mudança em comparação à animação é que, no desenho, só há habitantes de Berk, enquanto, no filme, vários povos vindos de diferentes lugares vivem na ilha.

    E por falar em detalhes, os dragões ficaram igualmente incríveis em cada escama, dente e baforada de fogo. Deixá-los menos cartunescos e mais próximos de répteis reais deu muito realismo a eles, além dos efeitos especiais. Ouso dizer que a qualidade dos efeitos práticos e especiais desses dragões supera muitas superproduções — até mesmo os dragões de Game of Thrones e A Casa do Dragão.

    Banguela foi retratado de uma forma que não deixa nada a desejar em relação à sua versão animada: as cores, a personalidade que lembra um gato, o zumbido antes de soltar uma cuspida de fogo… Não tem como não se emocionar quando Banguela imita Soluço desenhando, e os dois se conectam pela primeira vez.

    Mason Thames como Soluço em Como Treinar o Seu Dragão (Reprodução / Universal Pictures)
    Mason Thames como Soluço em Como Treinar o Seu Dragão (Reprodução / Universal Pictures)

    Essa mesma qualidade na representação dos dragões se mantém até mesmo nas cenas de ação: desde o primeiro voo de Soluço e Banguela, a rapidez do Terror Terrível, o corpo em chamas do Pesadelo Monstruoso, até a colossal Morte Rubra. Riqueza de detalhes. Algumas cenas de luta foram prolongadas — e isso é outro mérito do filme.

    A trilha sonora se mantém comovente e emocionante como na animação, sabendo o momento certo de dar destaque ao rugido de um dragão ou à emoção de um viking.

    Como fã de dragões e da própria franquia Como Treinar o Seu Dragão, posso dizer sem medo que vale a pena assistir ao live-action. É, sinceramente, um dos melhores que já vi. Esse, sim, é o verdadeiro significado de transformar uma obra animada em uma obra com pessoas de verdade. A expectativa é grande para o segundo filme.

    Autor

    • Sergio Scarpa

      Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]


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    Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]

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