Atena, novo longa dirigido por Caco Souza, parte de uma premissa potente: uma mulher marcada por abusos transforma sua dor em uma missão radical de justiça.
Com Mel Lisboa no papel-título, o filme acompanha uma espécie de tribunal clandestino formado por sobreviventes de violência que atraem, julgam e punem agressores, expondo seus crimes de forma violenta e simbólica.

A jornada de Atena ganha contornos mais pessoais quando ela descobre o paradeiro do pai abusador em outro país, e isso aprofunda o conflito entre justiça e vingança. No entanto, o roteiro acaba tratando isso de um forma bastante superficial, mas ainda assim gera um final impactante, mesmo que apressado.
Além da narrativa no presente, o filme apresenta alguns flashbacks, tanto para contar a história de Atena quanto de outras personagens. Á principio elas parecem meio confusas, e faz gerar diversas especulações, mas quando tudo se encaixa, toda história da protagonista passa a fazer sentido.
Mel Lisboa entrega uma performance dedicada, mas limitada apenas pelo próprio roteiro e pelo curto tempo de execução do filme. A atriz trabalhou muito bem em apresentar uma personagem ao mesmo tempo forte e vulnerável, destacando-se também no uso do sotaque sulista e, mais impressionantemente, nas lutas corpo a corpo
Porém, Thiago Fragoso, que interpreta o jornalista Carlos, vive um personagem que prometia muito, mas acaba mal aproveitado. Ele começa como um observador crítico e parece que terá grande importância na jornada de Atena, mas, no filme, acaba servindo apenas como um facilitador da trama, sem grandes conflitos internos ou desenvolvimento

A narrativa diversas vezes recorre a clichês do gênero policial e estilizações visuais inspiradas em thrillers hollywoodianos, e isso é um ponto positivo. O trabalho das câmeras, a boa qualidade das cenas mesmo à noite (ambientação que domina quase o filme todo), tornam o filme algo mais próximo de uma produção internacional do que nacional, mas sem perder brasilidade.
Sim, o toque brasileiro está em vários momentos do filmes, desde o sotaques dos personagens, os ambientes externos e até mesmo na decoração da loja de roupas em que Atena trabalha. O baleiro típico de antigos mercados, sinceramente, gerou nostalgia.
A trilha sonora acompanha bem as cenas de suspense e perseguição, as batidas ficam mais lentas ou mais rápidas à medida elas se desenvolvem, reforçando que o perigo está a cada canto e que mesmo sendo uma caçadora, Atena também pode se tornar a caça.
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Atena se propõe a discutir a impunidade, a negligência institucional e a conivência de autoridades com agressores. Porém, esses temas urgentes são abordados de maneira rasa, como se bastasse apontar o problema para gerar reflexão. Mas não há como não se revoltar com cada história contata.
O filme é um conjunto de fragmentos promissores — da história da protagonista ao suspense incômodo e à crítica social. Seu único ponto fraco está na falta de profundidade. Ainda assim, pode figurar entre as boas produções nacionais.
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