Este texto contém spoiler sobre o filme em questão

    Céu Vermelho-Sangue pode parecer à primeira vista apenas mais um filme de vampiros, porém ele usa o sobrenatural para abordar um tema bem mundano: o racismo.

    O filme alemão puxa o tapete dos espectadores apresentando o que parece que vai ser um filme de sequestro aéreo. Peri Baumeister interpreta Nadja, uma mãe que está viajando com seu filho em um voo com destino a Nova Iorque, quando um grupo de terroristas toma controle da aeronave e tenta usá-la para causar um acidente.

    Carl Anton Koch como Elias em Céu Vermelho-Sangue (Reprodução)
    Carl Anton Koch como Elias em Céu Vermelho-Sangue (Reprodução)

    A grande reviravolta acontece quando o filme revela que a protagonista, na verdade, é um tipo de vampiro que lembra muito a aparência do clássico Nosferatu.

    Usando seus poderes e força, Nadja precisa contra-atacar os sequestradores para defender seu filho e salvar a vida dele e dos outros passageiros.

    Algo que pode ter passado despercebido em meio a toda a ação do filme é como ele sutilmente contém uma crítica ao racismo através das atitudes de alguns de seus personagens.

    Peri Baumeister como Nadja em Céu Vermelho-Sangue (Reprodução)
    Peri Baumeister como Nadja em Céu Vermelho-Sangue (Reprodução)

    A manipulação do medo

    Tudo começa com a motivação dos bandidos, que é deixada clara através de uma notícia ouvida pela protagonista: sempre que um desastre aéreo ocorre, as ações daquela companhia despencam.

    Os sequestradores planejam simular um ataque terrorista como o famoso 11 de setembro, e com ele causar um acidente que derrubaria o valor da empresa na bolsa.

    Eles, já tendo feito transações que os enriqueceriam com este resultado, usariam a mentalidade racista estabelecida em 2001 para cobrir seus rastros.

    O grupo formado quase que completamente de criminosos brancos forçam dois passageiros de origem árabe a gravar uma mensagem representando o povo muçulmano, para que o ato terrorista fosse comparado com o cometido pela Al-Qaeda nos Estados Unidos.

    Kais Setti como Farid em Céu Vermelho-Sangue (Reprodução)
    Kais Setti como Farid em Céu Vermelho-Sangue (Reprodução)

    A melhor parte é como o filme vira a mesa e usa os planos dos criminosos contra eles mesmos: no fim das contas, os passageiros muçulmanos do voo são os responsáveis por salvar o avião, se tornando os heróis da história que queria pintá-los como vilões apenas por terem vindo de onde vieram.

    Mesmo como um filme de terror, Céu Vermelho-Sangue também serve para, mesmo que de maneira sutil e estimulando o inconsciente, ensinar que estereótipos são nocivos e que é algo extremamente preconceituoso presumir o caráter de alguém apenas porque nasceu no Oriente Médio.

    Céu Vermelho-Sangue está disponível na Netflix.

    Autor

    • Sergio Scarpa

      Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]


    Deixe seu comentário

    Adoraríamos saber sua opinião!


    Descubra mais sobre Epipoca

    Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

    Compartilhe

    Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]

    ×

    URL Copiada com Sucesso

    Desenvolvido por Camillo Dantas