Canal de TV toma atitude e diz que seus programas terão apenas 50% de brancos

Elenco do Big Brother americano 2020
Elenco do Big Brother americano 2020 (Divulgaçao/ CBS)

O canal americano de TV, CBS anunciou nesta segunda-feira, 09 que vai adotar uma medida para apoiar a diversidade em suas produções. A empresa implantou uma nova regra que visa fazer com que todos os seus programas que não sejam ficcionais (como realities) tenham pelo menos 50% do elenco não branco, variando entre negros, indígenas, latinos, orientais entre outras etnias.

Segundo o comunicado emitido para a imprensa, a mudança será implementada nos programas do ano que vem que irão compor a grade 2021-2022, mas não é só isso. A rede quer atender aos apelos dos produtores de conteúdo e garantir que pelo menos um quarto de seu orçamento anual seja destinado pra desenvolver projetos criados, co-criados ou produzidos por pessoas não brancas.

A CBS explicou que está comprometida com a causa, não apenas em produções que ela mesma grava em seus estúdios, mas quer colocar essa mentalidade para seus parceiros, produtoras contratadas, terceirizadas, que são responsáveis pela execução de determinados programas. A ideia da empresa, é fazer com que as pessoas tanto em frente como fora das câmeras tenham a maior visibilidade possível.

“O gênero reality show é uma área especialmente sub-representada e precisa ser mais inclusiva em todo o desenvolvimento, elenco, produção e todas as fases da narrativa”, disse George Cheeks, presidente e CEO do CBS Entertainment Group. “À medida que nos esforçamos para melhorar todos esses aspectos criativos, os compromissos anunciados hoje são primeiros passos importantes na busca de novas vozes para criar conteúdo e expandir ainda mais a diversidade em nossa programação improvisada, bem como em nossa rede”.

O canal é responsável por produzir alguns dos realities mais populares dos Estados Unidos como Big Brother, Survivor, The Amazing Race e Love Island. A rede também se comprometeu anteriormente a fazer alterações em seus programas ficcionais, e comunicou em julho que dedicaria 25% de seu orçamento de desenvolvimento de roteiro a projetos criados ou co-criados por pessoas não brancas, na temporada 2021-2022, ao mesmo tempo que pretendia ter um mínimo de 40% de representação deste mesmo grupo de pessoas em suas equipes de redatores e roteiristas.

Muitos programas, tanto com roteiro quanto sem roteiro, estão sob pressão renovada para aumentar a representação tanto na frente quanto atrás das câmeras. Os ex-concorrentes negros de Survivor recentemente pressionaram a CBS a fazer mais para tornar o programa mais inclusivo, enquanto os críticos da franquia The Bachelor da ABC alegaram que o programa tem uma longa história de racismo em suas práticas. Outra emissora que teve problema foi a NBC, que foi processada pela atriz Gabrielle Union, que alegou ter sofrido racismo nos bastidores do America’s Got Talent, na qual foi jurada no ano passado.

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Paulo Afonso

Comunicólogo balzaquiano, paulistano, e com experiência vasta nesse mundo virtual. Adorador de séries, filmes, quadrinhos, e tudo o que envolve a cultura pop.