O cinema independente vem ganhando espaço mesmo com o domínio dos grandes estúdios e das plataformas de streaming. A vitória recente de Anora, dirigido por Sean S. Baker, no Oscar mostra que filmes com histórias mais pessoais e diferentes também podem brilhar em premiações importantes.

    Apesar de oferecer mais liberdade criativa que o cinema comercial, o cinema independente ainda enfrenta dificuldades, como conseguir dinheiro para filmar e levar o filme até o público. Mesmo assim, diretores como Bernardo Barreto estão ajudando a fortalecer esse tipo de produção, trazendo novas ideias e visões para o público.

    O ator e diretor brasileiro Bernardo Barreto aponta que, apesar das mudanças recentes, como o reconhecimento no Oscar, ainda há obstáculos estruturais para o cinema independente. Ele acredita que a união entre artistas pode fortalecer o setor e defende o equilíbrio entre liberdade criativa e viabilidade de mercado.

    A última edição do Oscar foi um marco, porque enviou uma mensagem clara para os grandes estúdios e players: os artistas são os responsáveis pela criação dos conteúdos que movimentam a indústria. Esse reconhecimento pode ser o início de um movimento de união e reavaliação da valorização do cinema independente”, explica Bernardo Barreto.

    E acrescenta: “A criatividade não tem limite, ela é abstrata. Quando desenvolvemos um projeto, podemos partir de um tema e criá-lo de forma independente, buscando parceiros ao longo do caminho, ou já iniciar com um projeto encomendado. O importante é entender que, apesar das limitações do mercado, as possibilidades são imensas e podem nos levar por caminhos inesperados, nos desafiando a sermos ainda mais criativos”.

    Bernardo também critica a lógica comercial atual, que favorece “superestrelas” e dificulta o surgimento de novos talentos, o que empobrece o cenário artístico. Para ele, é preciso uma mudança estrutural para garantir mais diversidade e autenticidade nas produções.

    O problema é que o sistema atual cria ‘superestrelas’ que monopolizam o mercado e limitam a descoberta de novos talentos. Isso empobrece o cenário artístico, porque cada vez menos vemos reconhecimento para talentos emergentes. Se não houver uma mudança estrutural, corremos o risco de tornar a produção cinematográfica um espaço cada vez mais restrito e artificial”, conta Bernardo.

    Bernardo Barreto (Divulgação)
    Bernardo Barreto (Divulgação)

    Bernardo também destaca que a falta de retorno financeiro é um dos maiores desafios do cinema independente, especialmente agravado pela era dos streamings. Ainda segundo ele, isso afasta investidores e ameaça a continuidade do setor. Para viabilizar projetos, muitos cineastas acumulam funções, o que pode prejudicar o processo criativo.

    O cinema já enfrenta uma crise há anos, e a era dos streamings agravou ainda mais essa situação. Essas plataformas raramente pagam o suficiente para que os produtores, e principalmente os investidores, tenham lucro“, analisa Bernardo.

    A verdade é que fazer cinema independente exige um esforço enorme — é muito dinheiro, energia e tempo de vida investidos. Enquanto outras pessoas têm trabalhos com horários definidos, nós estamos sempre imersos no processo. Qualquer intervalo livre eu estou escrevendo, revisando roteiros, observando o mundo ao meu redor para alimentar minha criatividade”.

    Ele defende reformas estruturais, melhores condições de trabalho e remuneração mais justa para quem está por trás das produções. Apesar dos avanços e reconhecimentos em premiações, Bernardo alerta que ainda há muito a ser feito para fortalecer de fato o cinema independente.

    Espero que, nos meus próximos filmes, eu possa delegar mais e não precisar supervisionar tantas áreas ao mesmo tempo. O mercado precisa valorizar mais os filmes independentes, pagar melhor e estabelecer critérios que façam sentido para nós, criando mecanismos que garantam uma remuneração mais justa para quem realmente faz o cinema acontecer”, conclui.

    Bernardo Barreto construiu uma carreira internacional e já participou de mais de 20 filmes. Seu trabalho mais recente, Invisíveis (The Ballad of a Hustler), uma parceria entre Brasil e EUA, tem chamado atenção e ganhou prêmios em festivais como o de Santa Bárbara e o do Arizona.

    No mês passado, o filme foi indicado no 20º Omaha Film Festival nas categorias de Melhor Filme pelo Júri e Prêmio do Público. Já no fim de março, foi o filme de abertura do 23º Garden State Film Festival, onde venceu como ‘Melhor Filme’ e ‘Melhor Ator’.


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    Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]

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