Alan Ball revela que utilizou seus conhecimentos budistas em A Sete Palmos

A Sete Palmos (Divulgação)

A Sete Palmos marcou a história da HBO 20 anos atrás, como um de seus primeiros títulos originais de sucesso, e, também, se destacou por conseguir agradar ao público e crítica falando de um assunto tão complicado como a morte.

Em entrevista recente ao site Collider, o criador da série, Alan Ball, revelou que utilizou seus conhecimentos em Budismo para tornar o roteiro do programa mais suave.

Ele relembrou um momento chave em que utilizou suas noções budistas, quando Ghost Nate fala para Claire: “Você não pode tirar uma foto disso. Já se foi”, explicando o porquê a inseriu no roteiro.

“Quer dizer, temos que deixar tudo o que amamos porque essa é a natureza da realidade. Essa frase: Você não pode tirar uma foto disso. Já se foi, não me lembro bem, mas é uma espécie de paráfrase de um princípio de algum tipo de budismo que eu estava lendo em um dos meus livros sobre Budismo, sobre como você não pode segurar as coisas porque você nunca as teve para começar, o que é esotérico e estranho. E você poderia passar, como eu, horas e horas e horas de meditação tentando entender isso. Mas estou realmente emocionado que isso tenha afetado as pessoas tão emocionalmente, porque vem daquele lugar profundo e emocional em mim e nos outros escritores da série. Quer dizer, é verdade. Perdemos tudo o que amamos, incluindo nós mesmos”, ele contou.

Cena de A Sete Palmos (Divulgação)

Ele prosseguiu ressaltando que a atitude da personagem Claire, que insiste na fotografia apesar do que lhe foi dito é natural.

“Você tem que fazer isso apesar disso. Existe o conceito budista de ausência de fundamento: não há solo sólido sob seus pés. E muito do que estudei e li é sobre como isso é libertador. Eu ainda estou lutando com isso. Mas sim. Quero dizer, é essa pergunta. Nós vamos morrer, então o que vamos fazer? Nós simplesmente desistimos e não fazemos nada? Não, claro que não. Fazemos tudo o que podemos enquanto podemos”, ele afirmou.

Ball finalizou falando que acha que A Sete Palmos conquistou o público pela maneira como abordou a morte.

“E é por isso, para mim, que o show tocou um acorde em tantas pessoas, porque isso é algo que todos nós compartilhamos e com o qual todos lutamos. Não é algo sobre o qual falamos em torno do bebedouro em funcionamento. Grande parte da nossa vida é não olhar para isso, não olhar para essa realidade, por que de que outra forma você pode viver? Mas o fato de que o show meio que espiava essa realidade e ocasionalmente olhava para essa realidade, acho que muitas pessoas acharam um lugar estranhamente confortável para se estar. E, também, eu acho que o show teve um significado diferente para qualquer pessoa que já perdeu alguém muito próximo”, ele opinou.

Gaúcha, formada em Jornalismo e Pedagogia, crocheteira,”mãe” da dog Katy, apaixonada por filmes e séries de gêneros variados e por escrever. Sou redatora especialista em cultura pop, cinema, streaming e TV.

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