Cidade Perdida, filme de Sandra Bullock é a prova de que um bom trailer pode enganar você. Não me entenda mal, o filme não é ruim, mas poderia ser muito melhor trabalhado conforme o que foi apresentado em sua divulgação.

    A história de Cidade Perdida segue Loretta (Bullock), uma recém-viúva autora de romances eróticos, que embora lucre com suas criações, detesta o próprio trabalho, e acha que ele não reflete toda a sua riqueza intelectual. Ao fazer um novo volume, ela é obrigada a ir para a coletiva de imprensa com Alan (Channing Tatum), o modelo que estampa a capa dos livros.

    Sandra Bullock e Channing Tatum em Cidade Perdida (Reprodução)
    Sandra Bullock e Channing Tatum em Cidade Perdida (Reprodução)

    Como protagonista das histórias, ele é sempre requisitado pela mulherada, público-alvo dos romances. Isso enoja Loretta, e ela tem um ataque público, causando uma briga com Allan.

    A autora então é sequestrada por Abigail Fairfax (Daniel Radcliffe), um poderoso empresário que de olho no conhecimento da autora, quer que ela desvende a localização de uma valiosa coroa que faz parte de uma civilização perdida, num terreno inóspito que ele já adquiriu.

    A única pessoa que vê a protagonista ser sequestrada é Allan, que vai atrás dela cheio de bravura, na tentativa de encarnar na vida real, o personagem que ele é na capa dos livros.

    Daniel Radcliffe em Cidade Perdida Reproducao Youtube
    Daniel Radcliffe em Cidade Perdida (Reprodução/Youtube)

    Com essa premissa, o filme vem carregado de alguns defeitos, a começar pela protagonista. Não fosse o carisma de Sandra Bullock, o público jamais torceria por essa personagem que (entendível, tomada pelo luto) sempre aparece sisuda, arrogante e sentindo-se intelectualmente superior a todos os outros personagens.

    Algumas piadas do filme funcionam, sobretudo quando ele se propõe a ser uma comédia romântica. A química entre Sandra e Channing acontece, mas o processo para que ela surja na tela é quase exaustivo. Na tentativa de resgatar Loretta, os dois passam por situações absurdas, mas muitas delas caem apenas na roupa brilhante, chamativa, e cheia de lantejoulas que a escritora está vestindo no meio de uma selva.

    Em determinados momentos, o roteiro não dá espaço suficiente para que a piada seja contada, com as cenas se alternando muito rapidamente para o próximo take. Talvez, Fairfax tenha sido o papel mais ‘certinho’ de Daniel Radcliffe levando em conta seus últimos trabalhos, mas até ele parece deslocado ao viver um empresário engomadinho, vaidoso e estridente no filme, fazendo parecer que sua participação poderia ter sido melhor desenvolvida.

    Brad Pitt em Cidade Perdida Reproducao Youtube
    Brad Pitt em Cidade Perdida (Reprodução Youtube)

    O filme conta ainda com um recurso que se tornou moda em Hollywood, adicionar diálogos extras gravados em estúdio após a edição das cenas. Isso acontece geralmente para facilitar as regravações, depois que o estúdio faz as exibições de teste. Em muitos momentos é possível ouvir uma piada, sem que a boca do personagem que está dizendo seja mostrada.

    Não estou dizendo que o filme não é engraçado. Ele é, com momentos de total desconforto em que o espectador facilmente se perguntaria: “o que é que está acontecendo?”, porém ele não é tão divertido quanto seu trailer alardeou. Inclusive, o terceiro ato do filme, que é quando o romance entre Alan e Loretta começa a ganhar forma há uma desaceleração que faz com que todas as cenas beirem o enfadonho.

    Uma comédia comum, sem nada de especial.

    Obs: Com menos de cinco minutos de aparição, Brad Pitt está impecável como o Treinador.

    Autor

    • Sergio Scarpa

      Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]


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    Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]

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