Verdades Secretas II vem trazendo o público da TV aberta para o streaming, mas o que se pôde ver até agora foi uma grande quebra de expectativas na estratégia da Globo em usar a primeira temporada como isca para a continuação do Globoplay.
Logo na segunda semana de lançamento, o público já se mostrou cansado com a repetição das histórias de quase todos os núcleos, mas em especial no da personagem Laila (Erika Januza), que antes da estreia, era um dos mais aguardados.
Na sinopse, a modelo ficaria obcecada por remédios para emagrecer, resultando em oscilações de humor e agressividade. Logo de cara, a atriz passou a sofrer a pressão de ser comparada com a personagem de Grazi Massafera na primeira temporada.
Cabia, então, ao autor Walcyr Carrasco destinar uma maior atenção ao seu núcleo, já que o público está cada vez mais exigente e a repercussão de Larissa em Verdades Secretas lhe rendeu toda a aclamação da crítica especializada e do Emmy Internacional.
Nesta continuação, porém, as perspectivas com relação à nova personagem foram por água abaixo desde a sua primeira aparição e a profissional acabou sendo desperdiçada, por conta da sua história pouco convincente e vista como superficial.
Para quem está assistindo, nada faz sentido e a única sensação transmitida é a de preguiça. Nas primeiras cenas, Laila joga suas expectativas na retomada da sua carreira de modelo e esse é o seu único propósito de vida, aparentemente, mas ignora tudo isso na busca pela magreza.
Dessa forma, a atriz de 36 anos assume um papel que se comporta como uma pessoa ingênua, que basicamente deixa seus objetivos nas mãos do marido e age para agradar os outros, mas nenhum desses sentimentos são abordados ao longo da narrativa.
Na construção da personagem, o autor ignorou toda a sua experiência como modelo antes de entrar na agência de Blanche (Maria de Medeiros) e a fez entrar na paranoia de que está acima do peso. Dessa forma, a vilã da novela conseguiu o que queria com um simples comentário maldoso.
Laila, então, caiu no mundo das substâncias sintéticas de paraquedas, tornou-se dependente de uma hora para a outra e apresentou reações imediatas. Tudo muito rápido, de um capítulo para o outro, e a condução apressada empobreceu o drama real e cheio de nuances que atinge as pessoas na vida real.
Sua história e a de Larissa são completamente diferentes, mas a profundidade com a qual foi tratado o tema defendido por Grazi Massafera conseguiu fazer com que os telespectadores criassem empatia por ela e suas singularidades, facilitando toda a comoção que foi gerada em 2015.
Desta vez, a notícia de que a personagem de Erika Januza vai morrer foi capaz de sensibilizar o público apenas antes da estreia. Agora, na segunda leva de capítulos que foi lançada nesta semana, já há pessoas torcendo nas redes sociais para que ela deixe a novela o mais rápido possível.
As duas histórias pertencem ao mesmo autor, mas as expectativas elevadas com relação à segunda acabaram tornando a história pretensiosa e inverossímil, dando um aspecto genérico, forçado e fora da realidade, já que os surtos são mostrados de forma óbvia, sem a menor sutileza, e ninguém faz nada para ajudar.
O personagem de Sérgio Guizé também tem sido duramente criticado por mostrar preocupação em excesso e didatismo exagerado ao opinar sobre os medicamentos, mas na prática, não fazer nada de concreto para conter os riscos evidentes que a modelo está correndo.
Seu discurso é um, mas as atitudes são outras, mostrando-se conivente ao confiar na “lealdade” de sua amante com a sua esposa. Com mais 30 capítulos pela frente, resta saber se esse drama se repetirá de forma exaustiva até o final de Verdades Secretas II ou se chegará ao fim de forma repentina, assim como começou.
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