Cena de Soul (Reprodução / Disney e Pixar)
    Cena de Soul (Reprodução / Disney e Pixar)

    O lançamento internacional de Soul da Disney e Pixar está provocando reações sobre a decisão de usar um ator branco para dublar o personagem negro do filme.

    Soul foi celebrado por ser o primeiro filme da Pixar a apresentar um personagem negro como protagonista, neste caso um professor de música e músico de jazz chamado Joe Gardner (dublado por Jamie Foxx no lançamento nos Estados Unidos).

    O diretor Pete Docter contou com o codiretor Kemp Powers e o co-roteirista Mike Jones, além de um ‘cérebro cultural’ de artistas negros, para garantir que o filme representasse com precisão a cultura afro-americana.

    Mesmo assim, Joe é dublado pelo ator branco Nikolaj Lie Kaas na Dinamarca.

    De acordo com o The New York Times, a voz de Lie Kaas no lançamento dinamarquês de Soul levou acadêmicos e ativistas a usarem o jornal Berlingske para explicar como “o elenco foi um exemplo de racismo estrutural“.

    O artigo resultou em “uma controvérsia acirrada, levando Lie Kaas a emitir uma declaração sobre o motivo de ter aceitado o papel”. Leia abaixo que o ator escreveu no Facebook:

    “Minha posição em relação a qualquer trabalho é muito simples. Deixe o homem ou mulher que pode realizar o trabalho da melhor maneira possível conseguir o emprego”.

    A ativista dinamarquesa Asta Selloane Sekamane foi uma das pessoas contra a contratação de Lie Kass.

    De acordo com o The Times, Sekamane disse em uma entrevista que “ninguém pode alegar que não havia talento negro suficiente para preencher os papéis principais, porque atores negros foram contratados para dar voz a alguns dos papéis secundários“.

    Ela acrescentou:

    “Não pode ser uma desculpa constante, essa ideia de que não podemos encontrar pessoas que vivam de acordo com nossos padrões. Essa é uma barreira invisível que liga a qualificação à brancura”.

    A Dinamarca não é o único país preocupado com as dublagens locais de Soul.

    Uma petição para refazer a dublagem de Soul em Portugal já reuniu mais de 17.000 assinaturas e continua a aumentar. A petição afirma que “este filme não é apenas mais um filme e a representação é importante“.

    Na Alemanha, o personagem Joe é dublado pelo ator Charles Rettinghaus, que é branco.

    Rettinghaus faz dublagens de filmes na Alemanha há quatro décadas e é a voz dos atores Jean-Claude Van Damme e Javier Bardem por lá.

    Rettinghaus também dublou Jamie Foxx no cinema por mais de 20 anos, e comentou:

    “Não importa se você é negro, você deve ser e tem permissão para dublar qualquer coisa. Por que você não deveria interpretar um ator branco, um indiano ou um asiático?”.

    Kaze Uzumaki é um artista de voz negro que gravou a dublagem alemã para o personagem Paul, vizinho do protagonista Joe, e dublado por Daveed Diggs no lançamento estadunidense.

    Uzumaki disse ao The Times: “Embora você ter permissão para dublar qualquer coisa seja uma boa ideia, as oportunidades que existem no setor criam uma vantagem injusta”.

    Como Uzumaki observou, ele sempre é contratado para dublar personagens não brancos e nunca é contatado para dublar personagens brancos como Rettinghaus é.

    Uzumaki também declarou:

    “No início, eu realmente não gostei. Mas eu percebi que estava mais confortável comigo falando o papel do que muitos outros colegas brancos que não têm um bom conhecimento da língua inglesa e não podem realmente dizer como uma pessoa negra soa”.

    Soul está disponível no serviço de streaming Disney+.

    Autor

    • Sergio Scarpa

      Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]


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    Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]

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