Embora seja algo pesado, a história da Boate Kiss em Todo Dia a Mesma Noite é necessária, afirmou Daniela Arbex, depois de críticas.

    A minissérie de 5 episódios reconta de maneira fictícia a tragédia do incêndio da Boate Kiss em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Por falta da estrutura adequada para emergências, 242 jovens morreram no incidente.

    Todo Dia a Mesma Noite (Reprodução/Netflix)
    Todo Dia a Mesma Noite (Reprodução/Netflix)

    Daniela, autora do livro de mesmo nome no qual o programa é baseado, e Julia Rezende, diretora geral da produção conversaram com o podcast Splash sobre a série e discutiram as críticas.

    Muitas pessoas questionaram a intenção da minissérie, que recebeu acusações de estar usando o sofrimento das famílias dos mortos para se promover, e expondo uma ferida ainda aberta. Daniela rebateu, afirmando que a ideia de que a morte não pode ser tema de discussão não está certa e que o luto se supera com a memória de quem se foi:

    “A gente precisa muito trabalhar essa ideia equivocada de que não falar poupa os pais do sofrimento. Não falar não é uma opção. Esquecer é negar a história. E que pai e que mãe quer que o seu filho seja esquecido? Pedir superação é uma total falta de empatia com a dor do outro.”

    Fernando Roncato como Roberto em Todo Dia a Mesma Noite
    Fernando Roncato como Roberto em Todo Dia a Mesma Noite (Divulgação / Netflix)

    A fiscalização encontrou quase 30 irregularidades diferentes na boate, que acobertadas pelo Corpo de Bombeiros, Prefeitura de Santa Maria e a promotoria do Ministério Público. Julia disse que a série é uma forma de divulgar a injustiça e dar voz às famílias, cujo processo ainda está aberto:

    “Muitos filmes brasileiros também já foram feitos a partir de personagens reais ou acontecimentos. Então, eu acho que querer recusar isso, primeiro, é uma bobagem. Depois, é uma forma de silenciamento. O que a gente está fazendo aqui é dar voz a esse acontecimento, não deixar cair no esquecimento.”

    Série sobre Boate Kiss é um passo contra a cultura da impunidade, diz autora

    Todo Dia a Mesma Noite (Reprodução/Netflix)
    Todo Dia a Mesma Noite (Reprodução/Netflix)

    Quando Todo Dia a Mesma Noite foi anunciada, Daniela discutiu seu maior objetivo ao contar a história da tragédia em seu livro. Para ela, contar e espalhar a história pelo mundo vai ajudar a dar justiça para os familiares das vítimas, que ainda brigam para que os culpados paguem:

    “É um alento para essas pessoas e para mim também, enquanto jornalista, perceber que essa história foi eternizada […] numa série que vai chegar para milhões de pessoas não só no Brasil, mas ao redor do mundo. Vingança não é justiça. Longe de qualquer um de nós desejar vingança. Agora, que a gente precisa colocar fim a uma cultura de impunidade no Brasil, isso é altamente necessário. Já passou da hora de a gente dar uma resposta.”

    Confira o trailer:

    Todo Dia a Mesma Noite está disponível na íntegra na Netflix.

    Autor

    • Sergio Scarpa

      Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]


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    Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]

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