Matt Reeves revelou que o final de Cloverfield: Monstro foi um grande ponto de tensão entre ele, seu roteirista Drew Goddard e os estúdios da Paramount.

    Finais de filmes em que todo mundo morre geralmente deixam um gosto amargo na boca dos espectadores. No desfecho, os protagonistas que registraram a trajetória toda são bombardeados junto com o monstro e supostamente morrem, em um final que fica em aberto.

    Michael Stahl-David como Rob Hawkins e Odette Annable como Beth McIntyre em imagem dos bastidores de Cloverfield: Monstro (Reprodução/Paramount)
    Michael Stahl-David como Rob Hawkins e Odette Annable como Beth McIntyre em imagem dos bastidores de Cloverfield: Monstro (Reprodução/Paramount)

    Em conversa com o /Film em celebração aos 15 anos do longa, o diretor disse que teve que defender muito sua ideia para mantê-la no fim. De acordo com ele, mesmo que sugira que os personagens morreram, a cena tem uma mensagem de esperança e amor:

    “Nossa, eu vou te falar, nós absolutamente tivemos vários debates sobre esse assunto. Eu me lembro muito bem, principalmente em relação a Drew e eu, que aquele final parecia ser a abordagem mais esperançosa possível.”

    Nos momentos finais da história, Rob e Beth deixam uma mensagem sobre o incidente com o monstro enquanto se abrigam em uma ponte, até que uma explosão atinge o local e os dois declaram seu amor um pelo outro. Matt disse que, mesmo com a possível morte deles, o amor dos dois serve como algo de positivo em meio ao caos do filme:

    “Porque a moral da história era que, naquela última cena, aquele poderia ser o último momento deles juntos, e embora as chances não fossem boas, a sobrevivência deles ficou ambígua. O simples fato de eles estarem juntos e se amarem é uma ideia linda e transcendente.”

    “Trágico, porém humano”, resume diretor sobre o fim de Cloverfield

    Cloverfield: Monstro (Reprodução)
    Cloverfield: Monstro (Reprodução)

    Depois que a câmera corta, possivelmente quebrada na explosão, o filme acaba com uma gravação do casal em um encontro, dias antes do ataque, em que os dois aparecem felizes e bem, um último momento de amor e esperança.

    Matt teve que lutar com a Paramount pelo final, que o estúdio julgou sombrio demais. Mesmo assim, ele explicou que as duas cenas seguidas uma da outra criavam um equilíbrio entre a inevitabilidade da morte dos personagens e a felicidade de não estar sozinho em seus momentos finais:

    “Tinha algo nessa ideia de que pelo menos eles se encontraram e puderam estar juntos naquele momento que, por mais trágico que fosse, também era bem humano. Nós amamos aquilo e batemos o pé porque ‘Temos que fazer dessa maneira’. Houve discussões sobre isso, […] definitivamente teve gente que falou: ‘Talvez a gente devesse pensar melhor. Não parece impiedoso demais para vocês?’ e a gente respondeu: ‘Bem, parece o final correto’.”

    “Por isso decidimos terminar com eles naquele dia de filmagem quando eles estavam o encontro na roda gigante”, explicou.

    Cloverfield: Monstro está disponível no Paramount+.

    Autor

    • Sergio Scarpa

      Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]


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