CRÍTICA: A Mulher do Viajante no Tempo é constrangedora, mas há esperança

Série flerta com o absurdo, e não apenas em relação às viagens no tempo

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Quando as primeiras notícias sobre A Mulher do Viajante no Tempo começaram a aparecer, não dei muita atenção. Na internet logo surgiram comentários dizendo que o livro no qual a série se baseia, seria inadaptável, por ter uma trama ora simples demais, e complicada em alguns momentos. Vale lembrar que Game of Thrones foi também foi rejeitada por diversos canais, que alegaram o mesmo.

A nova série da HBO é vendida como um grande romance com pitadas de ficção científica. Escrita por Steven Moffat, showrunner de Doctor Who e Sherlock, tem como protagonistas Clare, vivida por Rose Leslie (Game of Thrones) e Henry, de Theo James (Sanditon).

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Tal qual uma cena de The Office, o enredo é introduzido pelos personagens olhando diretamente para câmera, mas cada um com uma idade diferente. Henry passou a aparecer para Clare quando ela tinha seis anos de idade, e ele já era homem de 36 anos.

Henry criança (Jason David) e Henry adulto (Theo James) em A Mulher do Viajante no Tempo
Henry criança (Jason David) e Henry adulto (Theo James) em A Mulher do Viajante no Tempo (Divulgação/ HBO)

Ele explica como espécie de defeito genético o fato de ser o único homem do mundo que consegue viajar no tempo. Ele simplesmente aparece nos lugares completamente nu, e detalha regras que teve que cultivar para conseguir sobreviver, como roubar, lutar e correr. A série explora todo o potencial físico do ator, e o bumbum dele fica à mostra mais vezes em apenas um episódio do que a nudez completa de outras séries.

Difícil para o público engolir é o romance dos personagens, que parece completamente impróprio quando a protagonista ainda é uma criança, e pior ainda quando aos 20 ela o procura, com 28, e esclarece coisas que ele ainda não sabe: que estão destinados a ficar juntos e vão se casar.

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Os problemas de caracterização ficam pequenos diante de algumas deficiências do próprio texto. Clare é uma adulta, que não tem atitudes adultas (OK, isso é comum nos tempos atuais), parece uma princesa medieval que viveu à espera do príncipe encantado.

Clare (Rose Leslie) em A Mulher do Viajante no Tempo
Clare (Rose Leslie) em A Mulher do Viajante no Tempo (Divulgação/ HBO)
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Todo o primeiro episódio que gira em torno do “primeiro encontro” desastroso entre os protagonistas, não é ruim, mas deixa no ar um tipo de estranheza, já que diante de outras pessoas, o novo casal, sequer fala no assunto óbvio: as viagens no tempo, e a conexão que eles têm com passado e futuro.

Na série Rose Leslie tem a oportunidade de interpretar uma personagem mais doce do que as que viveu anteriormente para o grande público, e talvez isso faça que as pessoas assistam os seis episódios da série, apenas para desvendar o que acontecerá com ela.

Não é um programa que apresentou de cara um grande propósito, nem mesmo uma trama que precisa ser desentrelaçada para fazer sentido, inclusive a própria Clare vai passando despercebida apenas fazendo vezes de coadjuvante de luxo para a história de Henry.

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De acordo com as regras da atração, quem viaja no tempo não pode mudar o que acontece, salvar pessoas, nada disso, apenas estar presente em determinados momentos, e isso dificulta ainda mais a compreensão sobre o motivo pelo qual a garota esperou tanto tempo pelo homem que conheceu e se apaixonou ainda na infância. Em uma cena desconfortável, ela chega a dizer que ele moldou sua libido.

A Mulher do Viajante no Tempo parece uma tentativa de fazer dramédia numa situação que sequer apresenta um motivo para acontecer.

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